Início Arte e Cultura Trajetória de personalidades do projeto “Direito à Memória” estão em site
Arte e Cultura

Trajetória de personalidades do projeto “Direito à Memória” estão em site

Trajetória de personalidades do projeto “Direito à Memória” estão em site
Trajetória de personalidades do projeto “Direito à Memória” estão em site

As histórias dos quinze protagonistas que compõem o projeto “Direito à Memória” já estão disponíveis no site www.direitoamemoria.com. O “Direito à Memória”, que é um projeto de pesquisa artística de multilinguagem e que tem como foco figuras negras importantes para o Amazonas, traz, ainda, vídeos com narrativas poéticas sobre esses personagens, escrito por Maria do Rio Negro e executado por Keila Serruya Sankofa, além de ilustrações e fotografias.

“Entendemos que há muito apagamento de pessoas negras da nossa história, então se há muitas figuras importantes que estão apagadas, nada mais interessante que ter um site para oferecer informações sobre pessoas que não tem reconhecimento, mas que tem ações sociais que fazem toda diferença nesse estado, e a web é um lugar que a gente pode construir diálogo, podemos alcançar mais pessoas e, consequentemente, conhecer mais personagens nesse processo”, disse Keila Serruya Sankofa, idealizadora da ação. 

Os vídeos foram gravados há um ano, e fazem parte da terceira etapa do projeto, composto pela exposição dos registros, em foto e vídeo, além das ocupações realizadas nos ônibus coletivos das zonas norte e leste.

O projeto “Direito à Memória” é composto e executado juntamente com uma equipe formada por pessoas negras e indígenas, realizado pelo Grupo Picolé da Massa, com o apoio da Prefeitura de Manaus,  por meio do Edital Conexões Culturais, Pedra de Fogo Produções, Coletivo Ponta de Lança e Fita Crepe Produções. A iniciativa tem, também, o apoio mais que necessário da historiadora Patrícia Melo e do ativista Juarez Júnior,   personalidades importantes durante todas as fases desse processo.

Personagens - Ao todo, quinze mobilizadores são homenageados nesta atividade, todos os protagonistas foram estudados e tiveram suas histórias recontadas a partir das suas narrativas absorvidas nesse processo.

Marly Paixão - A história de Marly Paixão é marcada pelo pioneirismo. Ela fundou o primeiro salão de tranças afro do Amazonas, nos anos 80 (que hoje está nas mãos de sua filha Jeinnylis Paixão), e também é referência como psicóloga negra na cidade.

DJ MC Fino - Aprendiz e educador, mais aprendiz do que educador, pois pra ensinar é preciso primeiro aprender, este é DJ MC Fino. Longe do esteriótipo de brutalidade imposta aos homens negros, é um homem sensível e paciente, gerando juventudes potentes.

Mirna Lysa - É uma mulher negra, trans e vitoriosa, que passou dos 30 anos e isso precisa ser exaltado. Filha de imigrantes, Domingo Reis Campos e Inês Souza Sales, nascida em Manaus/AM, enfermeira, ativista dos direitos humanos, com foco em pessoas trans e pessoas vivendo e convivendo com HIV/AIDS, co-fundadora do coletivo ASSOTRAM - Associação de Travestis e Transexuais do Amazonas, e mãe de Gustavo Bernardo. Viveu a ditadura militar, uma época de muita repressão às mulheres trans.

Emannuel Pires – Perdemos sua matéria em 2015, logo depois da semana da consciência negra, mas além das lembranças, histórias contadas por seus companheiros e familiares, da UNEGRO, do Movimento ALMA NEGRA (MOAN), PCdoB e em seguinte o AMONAM, espaço onde era atuante, há um legado da sua defesa aos direitos humanos, democracia, classe trabalhadora, sua luta incessante contra o racismo.

Francy Júnior - Filha de Nanã, Francy Júnior é uma preta velha que tem uma longa trajetória nos movimentos de resistência do Amazonas. Historiadora, atriz, educadora popular e militante dos movimentos sociais. Tem sua trajetória marcada pelo movimento comunitário e de mulheres negras, sempre empenhada na luta pelo bem viver coletivo. Mãe e avó, o seu papel na criação de seus netos foi fundamental para a sua conscientização em relação ao direito das crianças.

Lamartine Silva - É ativista do movimento hip hop e do movimento negro no Brasil, percorreu muito chão de luta neste país. Negro Lamar, como é popularmente conhecido, contribuiu para a solidificação do movimento hip hop no Brasil. Um cidadão do mundo, que luta pelos direitos civis do povo negro e de terreiro. Maranhense, escolheu o Amazonas para viver e para continuar lutando pela melhoria de seu povo. Hoje cursa pedagogia na UFAM, pois acredita fortemente que a educação também é um meio poderoso de mudança do racismo estrutural.

Nestor Nascimento - Nasceu em 11 de dezembro de 1947, se vivo completaria 73 anos de idade. Seu principal legado foi sua história de luta e combatividade na organização política em defesa da vida da população negra amazonense. Fundou o Movimento Alma Negra - MOAN, a primeira organização voltada às causas negras no Amazonas, e foi a partir dela que surgiram tantas outras que atuam hoje.

Irmã Helena - A luta por terras e moradia é estritamente negra e indígena no Brasil, pois os indígenas tiveram as suas terras roubadas, e aos negros que foram escravizados aqui, foi negado por lei o direito às terras e, consequentemente, à moradia. 

Manaus teve uma figura importantíssima que esteve à frente da luta por moradia em muitos bairros na cidade. E se hoje muitas pessoas tem aonde viver é graças às forças de Helena Augusta Walcott, popularmente conhecida como Irmã Helena, por sua vocação religiosa. Ela ainda está viva e lúcida, no auge dos seus 82 anos. Atuou ferrenhamente pela moradia de muitas famílias, chegando a sofrer perseguição policial, ao ponto de ter que sair do Amazonas por um tempo. Foi líder e coordenadora do Movimento dos Sem Teto, nos anos 70, 80 e 90.

Alexandrina - Sem Sobrenome, filha de negros escravizados, nascida livre e empregada de um casal de naturalistas estrangeiros, a americana Elizabeth Agassiz e o suíço Louis Agassiz, que vieram para a Amazônia estudar a flora e fauna brasileira. Trabalhando nos serviços domésticos da Casa Grande, foi aprendiz de naturalista entre os trabalhadores da Expedição Agassiz, entre 1865 e 1866. Mesmo sendo exímia naturalista, o que levou Alexandrina a ser fotografada foram seus cabelos, que alçavam os céus e que nasciam enraizados da terra, cabelos parecidos com as copas das árvores, com as montanhas ou com o sol nascente.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?