A confiança pública nas pesquisas eleitorais não pode variar conforme a posição ocupada por candidato nos números divulgados. Se um levantamento merece ser fiscalizado quando prejudica determinado grupo político, também deve merecer quando o beneficia. A transparência, para ser verdadeira, precisa sobreviver à conveniência.
Em tempos de polarização, tornou-se comum questionar pesquisas apenas quando os resultados desagradam. Quando os números são favoráveis, frequentemente desaparecem as dúvidas, as exigências metodológicas e os pedidos de esclarecimento.
A credibilidade de um instituto não pode depender da satisfação momentânea dos atores políticos. A mesma régua deve valer para todos.
A legislação eleitoral compreendeu essa necessidade ao assegurar mecanismos de fiscalização por partidos, candidatos e Ministério Público.
Não se trata de hostilidade contra institutos de pesquisa nem de tentativa de restringir a circulação de informações. Trata-se de reconhecer que levantamentos eleitorais exercem influência real sobre o debate público e, por essa razão, devem estar sujeitos ao escrutínio previsto em lei.
A maturidade política talvez se revele justamente nisso: compreender que pesquisa é instrumento de análise, não objeto de fé.
Os números ajudam a interpretar a realidade, mas não dispensam a necessidade de conhecer o Estado em sua complexidade, seus desafios estruturais e suas demandas concretas.
Levantamentos eleitorais podem indicar tendências, mas governar exige enxergar muito além das tendências.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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