O badernaço de Brasília conferiu ao presidente Lula a legitimidade para governar com mão de ferro. O argumento é a “defesa da democracia”, que na prática recebeu um tiro de misericórdia dos bolsonaristas no último domingo. Também conferiu ao ministro Alexandre de Moraes um protagonismo inédito.
Agora manifestações estão suspensas, e mesmo aquelas sem relação com “atos antidemocráticos” ficarão sob suspeita. Lula, o presidente, revela temores de que bolsonaristas estejam infiltrados na segurança do próprio Palácio do Planalto.
Há um clima de desconfiança generalizada que pode desembocar em perseguições sem freios.
Moraes, por sua vez, fala fora dos autos e contamina sua isenção como magistrado. Mas é o atual ídolo dos brasileiros.
Reconheça-se: Deve-se ao ministro a atitude corajosa de enfrentar ameaças e restaurar a legalidade. Mas preocupa os excessos.
É preciso estar atento aos que, com o argumento de proteger a democracia e com os poderes que têm, avancem contra valores democráticos, colocando freios nas conquistas obtidas pela sociedade brasileira nos últimos 40 anos.
O Brasil precisa de paz e Lula precisa governar. Até agora o único Poder que funciona, ainda que de forma descalibrada, capitaneado por Alexandre de Moraes, com seu estilo “bateu levou” é o Supremo Tribunal Federal, no qual se ancora o barco de Lula para não naufragar.
O Congresso age com tamanha timidez que é impossível dimensionar seu papel na reconstrução da democracia.
Essa timidez coloca por terra a definição de que, se as instituições funcionam, tem democracia...
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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