O ex-presidente Bolsonaro errou ao comparar Lula a um jumento, remetendo ao fato de o presidente ter concluído apenas o ensino fundamental. Pode-se não gostar de Lula, mas deixar de reconhecer que é um homem dotado de grande inteligência apenas revela a falta de acuidade de Bolsonaro, o que no fundo é a incapacidade de reconhecer no outro valores.
É pouco inteligente julgar pessoas pelo diploma universitário. Lula tem inúmeros defeitos. Que não cabe listá-los aqui. Mas burro não é.
E a comparação é pobre. O jumento é considerado um animal inteligente, explorado, mas dócil e esperto.
Bolsonaro, que sempre agiu como uma esponja, precisa mostrar que é dotado ao menos de senso de sobrevivência política, em um momento em que sofre graves acusações que podem levá-lo à prisão.
Criticar Lula pela aliança explícita com o STF e com o Centrão, pela intolerância com a oposição, pela tentativa de castrar a liberdade de expressão (o que revela o seu espírito autoritário), é outra coisa.
Bolsonaro, que tenta liderar a oposição ao governo, precisa estudar mais, ouvir mais, focar nas falhas de Lula, que são muitas, tornando o debate crítico e inteligente.


Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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