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Governador coloca função pública acima de ideologias e vai ao encontro de Lula

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Por Holanda
27/05/2026 01h24 — em Coluna do Holanda
  • Governadores representam os estados perante a União. Presidentes representam a União perante os estados. Quando entram em pauta obras estruturantes, logística e desenvolvimento regional, a responsabilidade institucional exige que o interesse público fale mais alto que as divergências partidárias.

A presença do governador Roberto Cidade ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em agenda voltada a interesses estratégicos do estado, não deve ser vista como gesto de alinhamento ideológico, mas como expressão do papel que a função pública impõe. O governante não representa apenas um partido; representa os interesses permanentes da população que governa.

À medida que a Amazônia assume protagonismo crescente nas discussões ambientais, climáticas e econômicas do mundo, aumenta também a necessidade de lideranças capazes de dialogar com Brasília, com os órgãos de controle, com investidores, com a comunidade científica e com a sociedade local.

O desafio amazônico tornou-se nacional e internacional. E, diante dessa realidade, talvez seja prudente recordar uma lição simples da vida republicana: quando o futuro do estado está em jogo, a geografia deve falar mais alto que a ideologia.

No Amazonas, onde os desafios geográficos permanecem independentemente de quem ocupa o poder, a cooperação entre diferentes esferas de governo não é gesto político excepcional, mas requisito de maturidade administrativa e compromisso com as necessidades permanentes da população.

Nesse contexto, ganha importância a postura de agentes públicos que compreendem a distinção entre disputa política e dever institucional.

Cidade percebeu que o Amazonas convive há décadas com dificuldades que não se alteram conforme o partido que vence as eleições. Governos passam, alianças se formam e se desfazem, mas permanecem os elevados custos logísticos, as limitações de integração territorial e os obstáculos que afetam a competitividade econômica e a mobilidade de pessoas e mercadorias. A geografia continua impondo desafios que exigem respostas de longo prazo.

Por isso, temas como a BR-319, investimentos em infraestrutura e obras sociais ultrapassam naturalmente o debate eleitoral. A rodovia segue cercada por controvérsias ambientais, técnicas e jurídicas legítimas, mas sua relevância para a integração regional dificilmente pode ser ignorada.

O verdadeiro debate não está na existência do problema, mas na forma de enfrentá-lo, conciliando desenvolvimento, proteção ambiental, segurança jurídica e planejamento territorial.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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