BRASÍLIA — Presidente licenciado do PSDB, o o senador Aécio Neves (MG) elogiou o acordo que deve levar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, à presidência do partido, e disse que a solução da unidade será sempre a melhor para a legenda. Aécio foi o articulador do apoio da bancada mineira ao governador de Goiás, Marconi Perillo, que deve retirar sua candidatura, assim como o senador Tasso Jereissati (CE).
— Apesar do indiscutível mérito das duas candidaturas colocadas, se o governador Geraldo Alckmin se dispuser a cumprir esse papel, o PSDB estará em ótimas mãos. Caberá ao futuro presidente do partido ampliar a interlocução com outras correntes políticas com as quais temos proximidade ideológica, o que é essencial para que o PSDB possa liderar uma grande coalizão de centro para vencer as eleições do ano que vem e, principalmente, para governar com razoável estabilidade — disse Aécio.
Interlocutores do senador Tasso Jeiressati disseram que o que acelerou o acordo para a terceira via na presidência do PSDB foi um ultimato dado por ele ao governador de São Paulo na última quinta-feira.
— Tasso deu um prazo a Geraldo até hoje. Disse a ele: você tem que dar uma resposta se aceita ser presidente até a próxima segunda-feira. Se não quiser, vou tocar minha campanha — relatou um aliado do senador.
Os tassistas estavam incomodados com a movimentação de Marconi Perillo que na última semana começou a viajar e se reunir com integrantes dos diretórios do PSDB em estados do Nordeste, onde o cearense tinha maioria.
— Tasso estava jogando parado, deixando a campanha na mão dos meninos cabeças pretas. Marconi é um trator, estava fazendo uma campanha agressiva — afirmou um dos aliados de Tasso.
O presidente interino do PSDB, Alberto Goldman, disse que o acordo foi possível graças a um entendimento entre os próprios candidatos, Tasso e Marconi, que chegaram a conclusão que seria muito desgastante para o partido uma disputa acirrada na convenção. Se o acordo for selado nesta segunda-feira, Alckmin será candidato único e deverá ser votado após a eleição do Diretório Nacional. Entretanto, pod surgir um segundo candidato na hora, desde que integre a chapa do Diretório Nacional.
— O acordo entre Marconi e Tasso não impede que na hora apareça um outro candidato para disputar com Alckmin, mas isso, em tese. O novo presidente será votado pelo novo Diretório — disse Goldman.
O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, está irritado com o acordo. Ele é candidato as prévias que escolherão o candidato do partido a presidência da República e defende a realização de debates entre os candidatos. Virgilio alega que, como Tasso não pôde continuar na presidência interina do PSDB por ser candidato a presidente da legenda, Alckmin também não poderia ser presidente do partido e candidato as prévias para presidente da República. Acha que será prejudicado.
— Isso aí é outra coisa. Agora vamos resolver o problema da presidência do PSDB — disse Goldman.

