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Agravamento do quadro político deixa equipe econômica em estado de alerta

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BRASÍLIA - O agravamento da crise política devido à abertura de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) contra 76 políticos, sendo oito ministros do governo Michel Temer, deixou a equipe econômica em estado de alerta. Integrantes do governo afirmaram ao GLOBO que, a princípio, o que pode ocorrer é uma demora maior do Congresso em aprovar a agenda de reformas e projetos importantes, como o que cria um regime de recuperação fiscal para os estados quebrados. No entanto, se a situação se agravar e as medidas econômicas estruturais ficarem em risco, o humor dos investidores em relação ao Brasil pode ser afetado.

Em conversas com investidores nacionais e estrangeiros, os técnicos da área econômica ouviram que não haverá problemas se, por exemplo, a reforma da Previdência levar mais tempo para ser aprovada. O que não pode ocorrer é uma diluição muito grande das medidas propostas ou sua não aprovação.

— Atrasar em um ou dois meses a reforma da Previdência pouco importa para os investidores, contanto que ela seja aprovada e que não seja muito diluída — disse um interlocutor do governo.

Sobre as mudanças negociadas pelo governo com o relator do projeto que muda o regime de aposentadorias do Brasil, deputado Arthur Maia (PPS-BA), os técnicos afirmam que nem todas elas implicam em perdas para os cofres públicos. De modo geral, a equipe econômica avalia que é possível abrir mão de um percentual entre 15% e 20% da economia que era esperada com a proposta original. A ideia inicial era conseguir reduzir gastos entre R$ 750 bilhões a R$ 800 bilhões em 10 anos. No entanto, algumas medidas propostas pelos próprios parlamentares, como apertar o controle na concessão dos benefícios rurais, vão compensar parcialmente as perdas.

Ainda de acordo com os técnicos, os investidores estão muito preocupados com a corrida eleitoral de 2018:

— Ele estão colocando um peso muito grande na eleição de 2018 porque o importante para eles é que o país continue fazendo as reformas. Eles temem haja uma quebra estrutural que paralise a agenda econômica.

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