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Ala não governista do PSDB prepara lançamento da candidatura de Tasso

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BRASÍLIA — Embalados pelo resultado da votação da denúncia contra o presidente Michel Temer, quando os não governistas assumiram a maioria na bancada de deputados tucanos — 23 a 20 —, a ala ligada ao presidente interino Tasso Jereissatti (CE) já prepara o “front” para o lançamento da candidatura do senador cearense contra o governador de Goiás, Marconi Perillo, na disputa pela sucessão do senador Aécio Neves (MG) na presidência do partido, que ocorrerá em dezembro.

Ao contrário do que vinha dizendo, peremptoriamente, que não seria candidato a presidente do partido, Tasso admitiu nesta quinta-feira a possibilidade de enfrentar o “desafio” de reconstruir o partido para a disputa de 2018.

Tasso ainda está consultando amigos e a família para oficializar a candidatura, mas adianta que sua plataforma como candidato a presidente terá como base o programa de propaganda de TV produzido por ele, em agosto, e que incendiou os setores governistas do partido: autocrítica, relação doentia com o governo, novo programa e novo código de ética. Tasso continua defendendo o rompimento com o governo, mantendo, no entanto, apoio as reformas. Mas disse ser impossível votar esse ano, em dois turnos nas duas Casas, a reforma da Previdência.

Ele disse que seu sonho sempre foi renovar o partido e que existem hoje dois projetos antagônicos no PSDB e que, na convenção, se verá qual irá prevalecer para sustentar a campanha presidencial de 2018. Segundo o presidente interino, que no início da semana passada pediu a renúncia de Aécio, a maioria da bancada deu uma demonstração clara na quarta-feira do que quer e o que precisa ser feito. Disse que os deputados “estão eufóricos com essa maioria” e iniciaram um movimento para que isso se reflita na eleição do novo comando do partido.

— Depois do resultado da votação de ontem, o presente já está determinado: no ano que vem veremos um Temer enfraquecido, com uma boa equipe econômica , mas atravessando a pinguela aos trancos e barrancos. O problema agora é o futuro, e o futuro não é só 2018, é o que queremos para o PSDB e para o país — disse Tasso.

O senador disse saber que terá pela frente um adversário poderoso. O governador Marconi Perillo tem o apoio do governo federal, dos governadores, e da Executiva nacional formada por Aécio Neves. Sua aposta é na renovação da Executiva nacional na convenção, que por sua vez elege o novo presidente.

— A atual Executiva foi montada pelo Aécio. Toda a expectativa agora é em relação a nova Executiva, que linha irá adotar. Ver qual dos dois projetos irá prevalecer. Um desses dois projetos é apoiado pelo governo federal que, pelo que foi mostrado na votação da denúncia, pesa muito mais que outros fatores — disse Tasso.

Desde quarta, Tasso vem se reunindo com deputados e senadores aliados, que cobram também a retomada da discussão sobre o rompimento com o governo Temer.

— Eu tenho lado e o meu lado é o da mudança, da ruptura. Estamos estimulando e motivando a candidatura de Tasso para conduzir e liderar as mudanças que precisamos para o partido. E é evidente que continuar apoiando o governo mais impopular da História irá interferir na disputa do PSDB em 2018. Como o nosso candidato irá explicar esse apoio? — disse o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), avisando que não é apenas “cabo eleitoral”, mas um “coronel” na eventual campanha de Tasso contra Marconi.

O deputado Daniel Coelho (PSDB-PE), que defende o rompimento com o governo Temer, também apoiou a candidatura do cearense.

— O apelo para o senador Tasso disputar é enorme. Acredito que ele aceitará ser candidato. Mesmo sem dizer que deseja disputar, ele já tem o apoio da maioria dos parlamentares — disse Daniel.

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