BRASÍLIA — Sem foro privilegiado desde que deixou o governo de São Paulo, na última semana, para disputar a eleição presidencial, o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, foi surpreendido pela notícia de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que o inquérito contra ele seja remetido à Justiça Eleitoral. Alckmin disse que sua inocência será provada “rapidamente”.
— Nem estou sabendo. A delação é de natureza eleitoral e sem nenhuma procedência. Isso vai ficar provado rapidamente — comentou Alckmin.
A investigação de Alckmin envolve suposto pagamento de caixa 2 para sua campanha em 2014 pela Odebrecht e, segundo a PGR, teria envolvido apenas crime eleitoral e portanto, deveria ser remetidos para a Justiça Eleitoral. Entretanto, a força-tarefa da Lava Jato em São Paulo havia pedido que o inquérito fosse remetido para eles. Na prática, as investigações na esfera eleitoral podem vir a acarretar penas mais brandas do que na esfera criminal. Cabe ao STJ decidir para onde o processo será enviado.
O pedido da PGR dividiu aliados de Alckmin. O tesoureiro do PSDB, deputado Silvio Torres (PSDB-SP), acha que isso pode ser bom. Já o líder do partido na Câmara, Nilson Leitão (MT), há controvérsias.
— Depende. O julgamento na primeira instância da Justiça comum não leva a impedimento de candidatura nenhuma — avaliou Nilson Leitão, dando a entender que o processo na Justiça Eleitoral poderia implicar em problemas para candidatura de Alckmin, se vier a ser comprovada a denúncia.
Na reunião para a definição das primeiras estratégias de campanha, Alckmin avaliou com deputados e senadores os palanques estaduais. Foi batido o martelo na candidatura do deputado João Gualberto pelo PSDB ao governo da Bahia, já que o prefeito ACM Neto (DEM) anunciou que não disputará o cargo.
Para reforçar a candidatura Alckmin no Nordeste, um dos maiores pontos fracos da sua campanha, começou a crescer no partido a defesa da candidatura de Tasso Jereissati ao governo do Ceará. Segundo aliados, é o único nome, nas pesquisas locais, capaz de vencer o governador Camilo Santana (PT).
— O Tasso é um nome importantíssimo. Se viesse a ser candidato a governador, seria um candidato fortíssimo — defendeu Alckmin.
Alguns nomes para o Senado também estão sendo definidos, como o do ex-líder e vice-presidente nacional do PSDB, deputado Ricardo Tripoli , na vaga do ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. Tripoli disse que teve uma conversa na manhã desta quarta com o chanceler e ele lhe estimulou a concorrer ao Senado. Na despedida , após a reunião, Alckmin saudou Tripoli dizendo “conte comigo, meu senador”.
Mesmo com partidos que tenham candidato a presidente, Alckmin e os tucanos irão manter um canal de negociação, já que a avaliação é que até julho, no prazo das convenções, muitos irão desistir e afunilar as alianças. Hoje ele irá conversar com o Pastor Everaldo, presidente do PSC, que tem até agora Paulo Rabelo de Castro como pré-candidato.
Sobre o DEM, a avaliação no comando tucano é que, passada a janela partidária em que a pré-candidatura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ) era um chamariz, dentro dos próximos 30 dias haverá uma definição sobre se ele manterá ou não seu nome na disputa presidencial.

