BRASÍLIA — Com a apuração ainda não concluída, mas já com percentual irreversível a favor do pedetista, Amazonino Mendes (PDT) derrotou o senador Eduardo Braga (PMDB) e foi eleito neste domingo para o quarto mandato como governador do Amazonas para um mandato tampão de 14 meses. Com 90.31% das urnas apuradas, Amazonino tem 59.53% dos votos válidos, contra 40.47% de Braga, seu antigo aliado político. Conhecido como o “imperador do Norte”, pelo poder político acumulado em décadas no comando do governo do estado, da prefeitura de Manaus e como senador, o septuagenário cacique Amazonino Mendes vai poder tentar reeleição para o cargo em 2018.
Com saúde frágil, em dobradinha com o PSDB do prefeito de Manaus Arthur Virgílio , Amazonino dá o troco em Eduardo Braga (PMDB), que o derrotou na eleição para o governo em 2006. Com enorme descrença, os amazonenses foram as urnas para a primeira eleição suplementar para governador da história do País. O governador José Melo (PROS) e o vice, Henrique Oliveira (PR) , foram cassados por compra de votos. No primeiro turno, o número de votos brancos, nulos e abstenções foi de 40%, e ganhou a eleição. Amazonino venceu o primeiro turno com 38.3% dos votos válidos, contra 27.4% de Eduardo Braga, ex-ministro da Indústria e Comércio do governo da ex-presidente Dilma Rousseff.
— Fizemos uma campanha limpa, bonita, sincera, respeitando o eleitor. Hoje, acredito eu, que seja um marco essa eleição. Quero dar minha contribuição ao Amazonas. E agradeço a profunda gratidão que o povo me acolheu. Não tem como explicar o sentimento que me invade — disse Amazonino ao votar pela manhã.
Passando por vários partidos, mas cria do ex-PFL, Amazonino Mendes teve três passagens pela prefeitura de Manaus, três pelo governo do Amazonas e foi senador entre um mandato e outro nos executivos estadual e municipal. Com atuação polêmica, na campanha de 1986 para o governo do Estado, venceu a eleição com propostas que chocaram os ambientalistas. Ele prometeu dar uma motosserra para cada “caboclo” do interior do Estado. Ameaçado de processo por apologia a crimes ambientais, recuou, mas chegou a distribuir cerca de 2.000 motoserras aos eleitores.
Em 1990, no final de seu governo, provocou outra uma enorme confusão ao descumprir a Constituição e acabar com a Polícia Civil, sob o argumento que estava com sua estrutura corrompida. Com uma enxurrada de ações na Justiça, os policiais e delegados conseguiram reverter a decisão e receber salários do período que estiveram sem trabalhar.
O senado Eduardo Braga, hoje da ala dissidente ao governo do presidente Michel Temer, é considerado “cria” política de Amazonino Mendes. Em 1992 começou a carreira política como vice-prefeito na chapa vitoriosa de Amazonino.
O novo governador deve assumir o Palácio do Rio Negro em 02 de outubro. Até lá o governo do Amazonas continua nas mãos do presidente da Assembléia Legislativa, David Almeida (PSD), que apoiou Eduardo Braga junto com o senador Omar Aziz (PSD).
Uma comitiva de Guiné-Bissau acompanha o segundo turno das eleições para o Governo do Amazonas. Os membros da delegação estiveram em Tabatinga, no interior do estado, e em Manaus para verificar como funciona a organização e gestão do processo eleitoral brasileiro, para se prepararem para as eleições no seu País no ano que vem.
A eleição do segundo turno transcorreu sem maiores incidentes. Mas a Polícia Federal investiga denúncias de prática de crime eleitoral em vários municípios: distribuição de vales combustível, transporte irregular de eleitores, distribuição de dinheiro ou boca de urna.
— Fizemos uma campanha do tostão contra o milhão, mas com muito entusiasmo, com muitos voluntários na capital e interior — declarou Eduardo Braga.

