BRASÍLIA — A posse do novo diretor da , , aconteceu a portas fechadas na última sexta-feira. No dia 20, está prometida uma solenidade com pompa e circunstância para discursos e fotos. Antes não era assim.
Leandro Daiello, o antecessor, tomou posse numa cerimônia na própria PF. O então ministro José Eduardo Cardozo foi lá, e prometeu trabalho conjunto, entoando o bordão "um por todos, todos por um".
O atual ministro Torquato Jardim deve ir na solenidade do dia 20. Mas, embora aprecie o idioma francês, não está em clima de Alexandre Dumas, que, como se sabe, é o autor dos Três Mosqueteiros de onde vem o tal bordão.
O ministro tinha outro nome para o cargo. Foi atropelado pelo Palácio do Planalto que escolheu Segóvia. Como serão as relações entre o diretor da PF e seu chefe imediato ainda é cedo para prever.
A posse indica, no entanto, que Torquato ainda está contrariado. Chamou Segóvia a seu gabinete, o apresentou aos secretários da Pasta, falou para se acertarem, assinou o termo de posse e só.
Nos idos de 1999, o então ministro Renan Calheiros teve que dar posse a um diretor da PF contra vontade. Na época, o senador alagoano montou uma solenidade cheia de convidados no Ministério numa posse que durou apenas 18 segundos. No instante seguinte, anunciou que pedira para o empossado ser investigado por envolvimento de tortura durante a ditadura. João Batista Campelo durou sete dias no cargo.
Hoje, a história é diferente. Segóvia entra com apoio de políticos, mas também de boa parte dos colegas que não deixam de apostar na sua seriedade para comandar a instituição. E, ao contrário de Renan, Torquato não é político, nem tem partido, estando no posto sob indicação direta do presidente da República.
Advogado eleitoral, sabe bem quando os ventos da política estão contra ou a favor. Torquato pode querer velejar em mar revolto, relevando o episódio PF. Mas pode também sentir saudades dos tempos em que sua sinceridade verbal não era alvo de conspirações palacianas.
Para onde pretende manejar seu barco? Só ele mesmo saberá.

