BRASÍLIA - Caberá ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) a decisão de retomar ou não a presidência do PSDB, de onde se licenciou ao ser afastado do mandato por uma liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin no dia 17 de maio. Embora caciques tucanos como o governador Geraldo Alckmin, o prefeito de São Paulo João Dória e a maioria da Executiva nacional terem se posicionado a favor da antecipação da convenção nacional para trocar o comando do partido e oficializar o senador Tasso Jeiressatti (PSDB-CE) no cargo, o presidente interino deverá conversar nos próximos dias com Aécio para definir que rumo tomar. Ele divulgou uma nota de solidariedade a Aécio, elogiando a decisão do ministro Marco Aurélio Mello de lhe devolver o mandato, mas não faz referência a situação interna do partido.
Aécio passou o dia em casa com a mulher, Letícia, e os dois filhos menores. Recebeu assessores e muitos telefonemas . Agora a tarde recebeu a visita do ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, e o deputado mineiro Paulo Abi-Ackel (PSDB).
Não há nenhuma reunião da Executiva nacional ou do Diretório Nacional marcada. Os defensores da substituição de Aécio no comando do partido argumentam que é preciso que a convenção nacional seja antecipada para outubro ou novembro, para a troca do comando das instâncias nacional , estaduais e municipais, para entrar em 2018 com o partido já reestruturado. Interlocutores de Aécio e Tasso dizem que qualquer decisão nesse sentido será tomada de comum acordo com o presidente licenciado.
— O Aécio é o presidente do PSDB. Se licenciou para se defender. Ele é quem vai definir o que vai fazer, se vai reassumir ou não — disse o presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal, um dos muitos aliados que conversaram hoje com Aécio por telefone.
A única decisão, até agora, é que Aécio fará um pronunciamento no Senado, na terça-feira, para dar uma satisfação a Casa e ao País sobre as acusações da PGR e da delação de Joesley Batista.
— Será um pronunciamento para realçar sua defesa. Aécio estava em prisão domiciliar, sem poder se defender. O voto do Marco Aurélio foi impecável e devolveu ao Aécio as condições de se defender e arguir todos os feitos a ele atribuídos, não vai se preocupar em atacar Janot, que está chegando próximo da irrelevância. O voto do Fachin determinando seu afastamento do mandato foi uma violência, a partir de uma maquinação do crápula do Janot — disse José Aníbal.
Hoje Aécio passou o dia recebendo ligações de aliados para se solidarizar depois da decisão do ministro Marco Aurélio Mello de afastar o pedido de prisão feito pelo procurador Geral da República, Rodrigo Janot. Quem conversou com Aécio disse que ele era “só emoção” e que se sentia saindo de “um pesadelo”. Está muito feliz mas cauteloso, ainda muito preocupado.
Nas conversas o senador mineiro admite que errou ao recorrer a Joesley para tentar arrumar dinheiro para pagar seus advogados, mas diz que a conversa era “uma tentativa de transação imobiliária” para levantar fundos.
— Estou saindo de um período terrível e agora vou poder me defender _ disse Aécio nas conversas.
Ao conversar com um assessor, Aécio perguntou como estava o Senado hoje, mas foi informado que estava completamente vazio por causa das manifestações na Esplanada contra as reformas do governo Michel temer.
Aliados de Aécio avaliam que o voto de Marco Aurélio Mello poderá influenciar o voto de outros colegas no julgamento de Aécio pelo pleno.

