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Após a condenação, políticos disputam espólio do lulopetismo

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BRASÍLIA - Mesmo que extraoficialmente, a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou alguns eventuais candidatos ao Planalto em 2018 a sair do armário e iniciar uma corrida pela conquista da maior fatia do eleitorado petista. O foco está na possibilidade de a pena evoluir para uma inabilitação política do candidato do PT. O caso mais explícito é o da ex-ministra Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, ex-petista e ex-ministra de Lula. Mas a disputa o espólio do lulismo também é travada por Ciro Gomes, pré-candidato do PDT, e pelo PSOL.

Sempre discreta, no dia seguinte à sentença do juiz Sergio Moro, Marina reuniu o partido e defendeu a necessidade de a Rede discutir meios de ocupação do vácuo político que está sendo deixado pelos enrolados na Lava-jato. Desde então, concedeu entrevistas e participou de reuniões com setores da sociedade civil. Além disso, a ex-senadora está à procura de um vice vinculado ao combate à corrupção e já conversou com os ex-ministros do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa e Carlos Ayres Britto.

Sobre a disputa de Marina e outros candidatos do campo da esquerda pelo espólio de Lula, o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) diz que 2018 será "um tabuleiro interessantíssimo", porque todos os candidatos já foram aliados ou disputaram com Lula outras eleições, menos o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Não haverá, portanto, neutralidade. Mas ele diz que Marina sairá na frente de Ciro, que se coloca como o candidato de Lula, caso não dispute.

- O diferencial entre Marina e Ciro é que ele tem uma pregação muito próxima da usada por Lula, bem à esquerda de Marina, que tem abordagem própria sobre os grandes problemas nacionais - avalia Miro Teixeira.

Na mesma batida para ocupar o vácuo, o sempre lembrado ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, do PT, começou a se movimentar e vem sendo citado por Lula como uma possível alternativa petista. Dias depois de Marina, o ex-prefeito deu longa entrevista falando do futuro do PT sem Lula e o próprio ex-presidente admitiu que Haddad seria um candidato competitivo em 2018 se tivesse ganho a disputa pela reeleição com o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB).

O líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP), defende a tese entoada pelo partido de que, apesar das adversidades, Lula será candidato em 2018. Na visão do deputado, nem Marina, nem Ciro seriam capazes de herdar votos de Lula:

- Achar que vai haver possibilidade de disputar espólio de Lula é inocência, porque Lula vai ser candidato.

Lideranças do PSOL dizem que o partido também quer atingir o eleitorado que tradicionalmente vota no PT, aproveitando o espaço que pode ser deixado por Lula, caso ele não seja candidato.

- O grande adversário será o desencanto com a política, agravado pelos caminhos tortuosos de todos os partidos dominantes - diz o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que diz estar analisando a proposta de seu nome como candidato ao Planalto ano que vem.

Ciro, por sua vez, diz que, apesar de considerar a sentença de Moro "absolutamente inconsistente", acha que o próprio Lula vai perceber a "impertinência" de sua candidatura e não a levará a frente. Sobre candidatos que se preparam para comer fatias do lulopetismo, Ciro dispara:

- É um equívoco qualquer candidato achar que pode ser legatário dos votos de Lula. É um completo engano, por exemplo, a experiência dolorida de Marina se imaginar legatária de Lula.

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