BRASÍLIA — A relação do ex-ministro Geddel Vieira Lima — — com o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi de altos e baixos. Foi para Geddel que Cunha ligou pouco antes de ser preso, em outubro do ano passado. E foi Geddel quem esteve na casa de Cunha, já como representante do governo Temer, depois que ele foi afastado da presidência da Câmara.
— Achei que era meu dever encontrar um ser humano e prestar minha solidariedade no momento de dificuldade que ele está — disse, na ocasião.
No entanto, em 2009, protagonizaram um embate com dura troca de acusações, durante a CPI dos Fundos de Pensão, comandada por Cunha, a quem Geddel acusou de chantagem. Geddel usou o termo “lombrosiano” para classificar Cunha, que se refere àquele que têm traços físicos de criminoso.
As ofensas ficaram no passado e, no calvário de Cunha na Câmara, ele recorreu diversas vezes a Geddel. Em várias ocasiões, o ministro da Secretaria de Governo falou de sua amizade com Cunha e até levou para seu gabinete no Planalto dois auxiliares do colega, que até hoje permanecem por lá.
Nesta sexta-feira, a PF apreendeu documentos e aparelhos na casa e no apartamento de Geddel. Na operação batizada de “Cui Bono?” (a quem beneficia?), o ex-ministro é acusado de participar de um suposto esquema de fraudes na Caixa Econômica Federal. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Geddel e outras três pessoas “faziam parte de uma verdadeira organização criminosa”. Eles são suspeitos de facilitar a liberação de empréstimos da Caixa Econômica Federal a empresas e, em troca, receber propina. Geddel foi vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco entre 2011 e 2013. Também são citados Eduardo Cunha e duas pessoas ligadas a ele: o doleiro Lúcio Bolonha Funaro; e o ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Fábio Cleto.

