BRASÍLIA — O procurador Ângelo Villela, que chegou a ser preso com base na delação da JBS, disse ter ouvido de um dos principais assessores do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot uma previsão de que o presidente da República, Michel Temer, poderia cair antes de indicar o novo chefe do Ministério Público. Villela conversou rapidamente com os jornalistas após prestar depoimento à CPI da JBS e revelou ter ouvido a previsão de Eduardo Pellela, que foi chefe de gabinete de Janot, em abril, depois que o presidente já tinha sido gravado por Joesley Batista e a conversa estava em posse da PGR.
— Eduardo Pellela esteve na minha casa em abril e disse que havia uma sinalização de que até a indicação do novo PGR, da nova PGR, provavelmente poderíamos ter outro presidente da República, mas não teceu comentários de porque isso aconteceria. Só fez um comentário vago – afirmou Villela.
O procurador afirma que a atuação de Janot na delação da JBS tinha como objetivo evitar que Raquel Dodge fosse indicada como nova PGR. Ele afirma que Janot agiu com o fígado.
— Quem conhece Rodrigo Janot como ele é, e eu sou uma pessoa que o conhece, sei que ele atua com o fígado e aí fica tentando falar bonito para justificar — afirmou Villela.
Ele sustentou que não poderia ser acusado de violação de sigilo funcional por ter enviado a um advogado do grupo da JBS conversa de outro procurador que investigava a empresa com um ex-sócio que negociava delação. Villela sustenta que o envio foi uma estratégia para tentar forçar a JBS a colaborar com as investigações e que o áudio não pode ser considerado como documento sigiloso.
— A despeito de estratégia ou não, você não pode imputar essa conduta como criminosa. Se é uma estratégia equivocada ou acertada, isso é uma coisa, agora colocar isso como crime é só na cabeça do doutor Rodrigo Janot. Venhamos e convenhamos que o que a gente tem assistido em relação a delação premiada e direcionamento de padrão de conduta que vem sendo descoberto é manifestamente desproporcional ao que estão me imputando — disse.

