RIO - O atropelamento que matou um bebê e feriu outras 17 pessoas, na praia de Copacabana, completou três meses, mas inquéritos do caso ainda não foram concluídos. Segundo reportagem do "Jornal Nacional", da Rede Globo, o acidente levou a três inquéritos policiais: dois contra o motorista Antônio Anaquim e um que investiga se uma das vítimas, o australiano Christopher John Gott, condenado por pedofilia e foragido no Rio, cometeu crimes no Brasil. Gott está em coma desde o dia em que foi atingido pelo veículo.
No dia seguinte ao atropelamento, o Detran abriu um processo para cassar a habilitação de Anaquim. Os inquéritos estão sendo analisados pelo Ministério Público. Antônio Anaquim deve ser acusado de homicídio culposo, quando não há intenção de matar e lesão corporal, além de falsidade ideológica. Em 2015, o motorista renovou a carteira de habilitação. No questionário do Detran, Antônio Anaquim negou sofrer de tonturas, desmaios, convulsões e disse que não tinha epilepsia. Na resposta se tomava remédios, o "sim" foi rasurado, ficou valendo o "não".
Em entrevista ao "Jornal Nacional", o motorista questionou a autoria da rasura. "Você sabe quem rasurou, se fui eu ou se foi o Detran?, disse Anaquim. Ao ser indagado pelo repórter se estava acusando o Detran, ele recuou: "Eu não estou dizendo nada ainda aqui. Eu não vou afirmar nada pro senhor. Não vou afirmar nada porque não vou acusar ninguém, não vou falar de ninguém aqui".
O motorista disse ainda que não esperava que sua doença fosse causar o acidente: "É uma fatalidade porque eu nunca esperaria que uma epilepsia pudesse gerar um problema tão ruim como aconteceu agora". Após conversar por telefone com o repórter, Anaquim pediu que a gravação fosse usada. De acordo com a Rede Globo, com base nos princípios editoriais da empresa, o pedido não foi aceito.
A defesa de Anaquim confirmou que fez um acordo de indenização com os pais da Maria Louise, a bebê morta no atropelamento. Mas o dinheiro, segundo a família da bebê, tem pouco significado diante da perda irreparável da filha.
- Por mim, não tem dinheiro que pague. Só quero que ele pague o que fez. Eu vivo com essa dor diariamente - afirmou Niedja da Silva Araújo, mãe de Maria Louise.

