Relatórios financeiros mostram que o Banco Master obteve R$ 1,6 bilhão com a revenda de operações de crédito consignado ao CredCesta, valor que superou os R$ 709 milhões arrecadados com os juros pagos diretamente pelos servidores públicos no ano de 2024. Os dados foram enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado e revelam a estratégia do banco de priorizar a comercialização das carteiras em vez da rentabilidade tradicional via juros.
A escrituração contábil mostra que o CredCesta, cartão de benefício consignado voltado a servidores públicos, aposentados e pensionistas, foi o principal produto envolvido. O modelo permite desconto direto em folha e chegou a operar em 24 estados e 176 municípios em 2024, ampliando sua presença nacional.
O criador do CredCesta, Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, mantém exclusividade da operação na Bahia até 2033 e busca estruturar um fundo para dar continuidade ao produto após a saída do banco de algumas praças. A investigação da CPI ocorre em meio a outros episódios envolvendo o Master, como a prisão de seu acionista controlador, Daniel Vorcaro, em 2025, o que intensificou o escrutínio sobre as práticas da instituição.
A discrepância entre os ganhos com a revenda e os juros levanta questionamentos sobre a sustentabilidade do modelo e sobre possíveis irregularidades. Para os servidores, aposentados e pensionistas, o impacto é direto, já que o produto foi comercializado em larga escala e pode ter sido usado como instrumento de maximização de lucros sem transparência adequada.



