BRASÍLIA - Em cerimônia militar, o presidente afirmou que o Brasil não tem "muito apreço" pelas e pela hierarquia. Nesta segunda-feira, na promoção de 18 oficiais-generais, Temer não se incluiu na crítica: disse que respeita instituições e pessoas.
— O Brasil não tem muito apreço pela hierarquia, no geral, pela organização. Não temos muito apreço pelas instituições — defendeu, repetindo que o país deve se "reinstitucionalizar", sem detalhar esse objetivo.
O peemedebista se disse alvo de "especulação" e "preocupação muito grande" quando conversa com integrantes do Poder Judiciário.
— Se eu falo com alguém do Judiciário e sou capaz de influenciá-lo ao ponto de mudar de opinião pessoal, jurídica, científica ou o que quer que seja, ele não se presta para o cargo que exerce — emendou, sem citar nomes ou cargos, como de praxe.
A despeito de apontar comportamento nacional de desprezo pelas instituições, Temer se defendeu e se retirou das críticas. Ele afirmou que respeita todas as instituições e pessoas.
— Eu respeito todas as instituições. Eu respeito as pessoas, respeito os divergentes, eu respeito a imprensa, por mais que a imprensa possa fazer isso ou aquilo — afirmou, citando que o respeito é uma maneira de "engrandecer o país" e fugir de "discussões medíocres".
Após ser operado três vezes em 45 dias e estar com uma sonda coletora de urina, Temer disse estar certo de que o ano que vem será "muito melhor". Em 2017, ele foi denunciado criminalmente por duas vezes, mas a tramitação foi barrada pela Câmara dos Deputados, que tem que dar aval às investigações, conforme a Constituição. A reforma da Previdência, carro-chefe das medidas econômicas do governo, foi enviada ao Congresso há um ano e teve votação adiada mais uma vez, para fevereiro.
Mais cedo, em evento da Fundação Ulysses Guimarães, braço teórico do PMDB, Temer declarou que a postura em relação à reforma previdenciária definirá as eleições em 2018.
— Quem for candidato a presidente da República e disser que vai continuar, ou terá também governo de reformas, estará cravada na sua campanha a tese do acerto do nosso governo. Estará cravado o governo Temer e o programa que ousamos exata e precisamente fazer uma revolução política, administrativa e econômica — disse. A fala de Temer vem um dia depois de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmar à 'Folha de S. Paulo' que não é necessário um candidato aliado que tenha "Temer" tatuado na testa.

