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Candidatos à presidência do PSDB sinalizam desembarque do governo em dezembro

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BRASÍLIA — Os dois candidatos à presidência do — o governador de Goiás, , e o senador (CE) — se reuniram nesta quarta-feira para tentar firmar um pacto de não beligerância e de construção de uma agenda conjunta de teses, princípios e diretrizes para evitar o agravamento da divisão interna na convenção do partido, marcada para dezembro. Marconi já anunciou oficialmente sua candidatura à presidência da legenda, enquanto Tasso é pressionado por seu grupo a assumir logo que também irá disputar o cargo.

Deste primeiro encontro, que Tasso disse já ter servido para “baixar a fervura”, os dois concordaram que o PSDB pode desembarcar do governo Michel Temer daqui a 40 dias, na convenção. O senador reafirmou também que continua como presidente interino até a convenção e destacou que o encontro irá marcar “uma grande virada” para o futuro do PSDB, depois do desgaste sofrido nos últimos tempos.

— Com certeza a permanência no governo será discutida na convenção. Acho que o PSDB desembarca em dezembro. O foco de resistência são cinco ou seis deputados. Os ministros até que estão calmos — disse Tasso, ao lado de Marconi.

O governador de Goiás concordou e afirmou que há dois meses já havia dito que o desembarque seria natural agora no final do ano, quando os ministros precisam sair para cuidar de suas candidaturas. O prazo de desincompatibilização dos ministros é abril, mas Marconi observa que eles precisam sair antes para organizar suas campanhas à reeleição. São quatro os ministros tucanos: Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores), Bruno Araújo (Cidades), Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Luislinda Valois (Direitos Humanos).

— O PSDB pode apoiar as reformas e ajudar em tudo que for a favor do Brasil sem precisar estar no governo. O PSDB já deu sua contribuição, ajudou no impeachment, mas agora chegou a hora em que nós vamos nos dedicar à eleição presidencial e às propostas do nosso programa de governo — disse Marconi Perillo.

O presidente interino, que também se reuniu na manhã desta quarta com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), disse que, independentemente de quem irá comandar o PSDB em 2018, o mais importante são as ideias. Tasso ressaltou que caso haja concordância sobre a retomada das teses que nortearam a criação do partido e sobre um programa de propostas corajosas para reconectar-se com a sociedade, que apenas um dele seja candidato.

Ele admitiu, contudo, que há dois grupos antagônicos hoje no PSDB e a maioria irá determinar as candidaturas a convenção. Na terça-feira, ele discutiu o lançamento de sua candidatura com com 20 deputados e com os senadores Cássio Cunha Lima (PB), Flexa Ribeiro (PA), Ricardo Ferraço (ES), José Serra (SP) e Eduardo Amorim (SE).

— Eu tenho uma identidade política muito forte com determinadas ideias que hoje encontra diferenças nas correntes internas. Essas correntes e essas ideias é que vão prevalecer. De acordo com essas ideias é que vamos, junto com as bancadas e o partido, definir essa candidatura — disse Tasso.

Marconi reforçou seu desejo em comandar o partido, e ressaltou que o colega ainda não admitiu a candidatura:

— Eu informei ao presidente Tasso sobre o meu desejo, interesse e intenção de colaborar com o partido na presidência. Quando tomei essa decisão, ela se deu, fundamentalmente, porque ele disse que não era candidato, e ainda não disse, até agora, se é. Conversamos sobre as medidas que precisam ser adotadas daqui para a frente para trazer de volta os jovens, a militância, e como levarmos, até a militância, propostas novas e teses corajosas que possam ajudar a construir um novo país — reafirmou Marconi.

Tasso e Marconi trocaram elogios sobre a transformação que o primeiro fez no Ceará, e o segundo em Goiás. E reafirmaram que o objetivo comum não é brigar nem disputar nada de forma a dividir o PSDB, e que o Brasil precisa do PSDB unido.

— Baixou bastante a fervura, nem tinha muita fervura, é um movimento localizado de alguns deputados muito exaltados. Parece que eu e o Marconi estamos concordando com tudo — disse Tasso.

Antes da reunião com Tasso, Marconi se reuniu com o senador José Serra.

— O Papa Francisco deu um conselho, que a grande meta de todos deve ser ouvir muito para nos decidir de forma sábia, levando em consideração princípios, valores, ideias e teses. Temos grandes chances de vencer 2018, mas precisamos convencer os eleitores que temos as melhores teses, os melhores valores. Precisamos escutar, ouvir e dialogar — disse Marconi, anunciando que terá uma nova reunião com Tasso e líderes do partido nas duas Casas, na próxima semana.

Na parte da manhã o senador Aécio Neves foi ao gabinete de Tasso para discutir a contratação da empresa Ideia Big Data, do publicitário Moriael Paiva, que trabalhou para o PT contra sua candidatura em 2014. Tasso repetiu o argumento que Moriael é um profissional que pode trabalhar para qualquer partido, e que, no passado, já trabalhou para Fernando Henrique Cardoso.

— O Aécio achava que o dono da empresa era uma pessoa , e não é. Acho que ele saiu convencido. Vamos manter o contrato com a empresa que irá cuidar do plano estratégico de redes sociais do partido — disse Tasso.

A contratação da empresa .

Indignado com o enfrentamento com parte da bancada tucana de deputados, Aécio chegou a considerar a possibilidade de fazer a substituição do presidente interino Tasso Jereissatti (CE). Segundo interlocutores de Aécio, essa ideia veio com força diante da declaração de Tasso de que “aquele PSDB não era o seu PSDB”. Como presidente licenciado, Aécio pode renunciar. Nesse caso, assume o vice-presidente mais velho, Alberto Goldman, que terá um prazo de 24 horas para indicar um novo interino entre os oito vice-presidentes, para comandar o PSDB até a convenção de dezembro.

— Essa ideia veio com força quando Aécio leu a declaração de Tasso dizendo que aquele PSDB não era o seu PSDB. Durante alguns minutos ele ficou muito indignado e disse: então, se ele não reconhece os deputados como PSDB, não pode continuar como presidente do partido. Mas a noite já estava mais conciliador —contou hoje um dos deputados aliados de Aécio.

A ideia refluiu momentaneamente, mas na manhã desta quarta cedo Aécio foi ao gabinete de Tasso tentar convencê-lo a renunciar, se for mesmo candidato a presidente do partido na convenção de dezembro. A conversa, ríspida segundo relatos, terminou sem acordo e Tasso sequer admitiu que é candidato.

—Aécio , na conversa hoje com Tasso, falou da inviabilidade dele continuar como interino, se for mesmo candidato e tentou convencê-lo a se afastar. A conversa foi ríspida e Tasso sequer admitiu que é candidato, embora já tenha admitido para seu grupo de apoio que será. Disse que ainda está ouvindo pessoas — disse o deputado.

Os aliados de Aécio dizem que o senador mineiro saiu muito irritado da conversa com Tasso. Ninguém sabe se o armistício costurado por Tasso e Marconi, que não incluiu Aécio, irá pacificar os grupos do partido.

— Tasso não pode ser candidato sem admitir que é, e usando a estrutura do partido. Estamos numa sinuca de bola 7. O Tasso continua agindo de forma desagregadora. Essa situação não vai ficar serenamente até a convenção de dezembro — disse o interlocutor de Aécio.

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