BRASÍLIA - Na política, a tradição é não usar cocar, porque pode dar azar. Não se sabe ao certo se a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, acredita na superstição ou não. Mas, presenteada com dois cocares nesta quarta-feira, ela não quis se arriscar. Disse que guardaria os presentes, e não ousou levá-los à cabeça.
- Esse negócio pode ser usado por brancos? Vou guardar - disse Cármen Lúcia, após ser presenteada por um grupo de índios.
- Isso vai ser exposto ali. Todos os que vierem depois saberão que os senhores estiveram aqui - disse ela apontando para estantes onde são expostos alguns objetos.
A ministra aceitou usar apenas uma outra peça decorativa em torno do pescoço. O encontro com os índios foi rápido, durando cerca de três minutos. Eles foram ao STF acompanhar um julgamento realizado nesta quarta. Estava na pauta um processo que questionava uma liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) permitindo a continuidade das atividades de mineração em parte de uma área indígena no Pará, mesmo sem a implementação de plano de gestão econômica e de medidas compensatórias para as comunidades locais.
Os índios alegaram que a atividade estava causando prejuízos irreparáveis para o meio ambiente e a população. Foram citadas enfermidades causadas pelo consumo de água contaminada e também o aumento de casos de malformação fetal e deficiências congênitas de recém-nascidos de aldeias indígenas. O STF não tomou uma decisão prática sobre o caso. Por maioria, os ministros afirmaram que, por questões processuais, não cabe ao Supremo tratar do assunto, e mandaram o processo de volta para o TRF1 decidir.

