O fogo que destrói a Cinemateca Brasileira, localizada na zona Oeste de São Paulo, é uma tragédia anunciada. Em abril de 2021, trabalhadores divulgaram um manifesto denunciando o abandono por parte do governo federal, e alertaram para o risco de incêndios.
O local está fechado e sem ninguém trabalhando desde agosto de 2020, quando a Polícia Federal foi ao local e tomou as chaves da instituição, a mando do presidente Jair Bolsonaro, mais especificamente por ofício enviado pelo secretário especial da Cultura, Mário Frias.
Nesta quinta-feira (29), os responsáveis pela instituição o secretário Mario Frias e seu braço direito, André Porciuncula, estão em Roma, na Itália, para Conferência dos Ministros da Cultura do G20.
O manifesto afirmava que a "resistência ideológica" seria o único motivo aparente para o governo Bolsonaro não seguir recomendações técnicas de órgãos federais, assumindo a possibilidade de "deterioração do material custodiado pela Cinemateca e do risco crescente de sua destruição”.
No festival de Cannes, ainda no início deste mês, o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho alertou sobre a crise na instituição. "A Cinemateca Brasileira foi fechada de um ano para cá. [Tem] 90 mil títulos, 230 mil rolos de filmes e programas de TV. Todos os técnicos e especialistas foram demitidos . É uma demonstração de desprezo pela cultura e pelo cinema, e acho que deveria mencionar isso porque estamos em um festival, todos amamos o cinema. E [a Cinemateca] é um templo de preservação. Muitos amigos não brasileiros me perguntam o que podem fazer. Eu digo: escrevam, falem sobre isso, chamem o governo e perguntem por que estão fazendo isso”, afirmou o cineasta.
De acordo com a coluna Painel, da Folha de São Paulo, Mario Frias foi a Veneza, na Itália, em maio, com uma viagem que custou aos cofres públicos R$ 112 mil, e ao comparecer ao festival da Bienal de Veneza, revelou não saber quem era Lina no Bardi, estrela do evento.

