BRASÍLIA — O pré-candidato à Presidência do PDT, Ciro Gomes, ainda está afinando seu programa de governo com a ajuda do economista Nelson Marconi, de perfil moderado. Embora o presidenciável já tenha dito e repetido que irá revogar o teto de gastos e a reforma trabalhista implantados na gestão de Michel Temer, Ciro tem sido aconselhado a balizar o discurso. Um interlocutor do pedetista conta que alguns pontos não são definitivos:
—Eu tenho dito a Ciro que não dá para jogar toda a reforma trabalhista fora, porque ela tem coisas boas— diz.
Mas ainda que esteja aberto a flexibilizar algumas posições, o programa de Ciro pende à esquerda. Em entrevista à rádio Jovem Pan, nesta segunda-feira, Ciro deu um recado ao mercado financeiro: "fique tranquilo: eu sou pelos bancos e pela produção". Um dos principais articuladores políticos do presidenciável, no entanto, deixa claro que Ciro não fará uma carta aos banqueiros e não se curvará à banca para ganhar as eleições. Aliás, este é um dos pontos em que as conversas com a centro-direita travam.
— Ciro não tem nada contra os bancos. Mas vai combater uma política pública que seja em detrimento do trabalhador. Ciro vai conversar e explicar que no capitalismo é importante que o trabalhador tenha renda. Mas não vai fazer carta aos banqueiros. O Estado tem um papel como atenuador das diferenças sociais. Quem defende o Estado mínimo não vai encontrar em nós um bom parceiro— pontua Cid.
O programa de Ciro tem com um dos princípios bases retomar o crescimento da economia em paralelo à redução da desigualdade. Esse tema consta da minuta da Frente de Esquerda, que vem sendo construída conjuntamente pelo PT, PSB, PC do B e o próprio PDT. Ciro também tem falado sobre aumentar a tributação da classe mais abastada da sociedade, e taxar mais a renda do que o consumo.
Uma reforma tributária de Ciro passaria pela redução dos impostos dos menos favorecidos e aumento da taxação dos ricos. Uma medida que deverá ser tomada em um eventual governo Ciro é a tributação de lucros e dividendos empresariais. No que tange à reforma da Previdência, Ciro taxa a proposta pelo atual governo como "selvageria", e defende a criação de um regime de capitalização, no qual o cidadão teria uma conta para a qual contribuiria para sua aposentadoria. Ele também prega o fim dos privilégios de setores de alguns setores, como juízes e funcionários públicos.

