BRASÍLIA — O empresário , um dos donos da , afirmou em depoimento à na manhã desta quarta-feira que o país passa por um retrocesso no combate à . Segundo ele, investigados que delataram estão sendo presos, e acusados de desvio de dinheiro público estão soltos. Para ele, as festejadas delações de outros momentos se tornaram um ato de alto risco para quem decide colaborar com a Justiça.
— Estamos vivendo um imenso retrocesso. Colaboradores estão sendo punidos, perseguidos pelas verdades que disseram. As delações fizeram o Brasil olhar no espelho. O resultado é esse: delatores presos, e delatados, soltos — disse Batista.
A partir da delação de Welsey e do irmão Joesley Batista, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot denunciou o presidente Michel Temer duas vezes. A primeira, por corrupção passiva. A segunda, por organização criminosa e obstrução à Justiça. No entanto, a base a Câmara bloqueou o prosseguimento das investigações, que só poderão ser retomadas quando encerrar o mandato do presidente.
Janot também pediu — e obteve — do Supremo Tribunal Federal (STF) o afastamento do mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Porém, as restrições impostas pelos STF ao senador Aécio Neves tiveram vida curta. Numa reação à ordem judicial, o plenário do Senado derrubou a decisão do STF e devolveu o mandato ao senador.
Wesley Batista chegou à CPI às 10h03. Logo após receber autorização para falar, fez um breve discurso contra as medidas adotadas contra ele e o irmão, depois que decidiram buscar acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Os dois estão presos sob acusação de descumprirem o acordo e usar informações privilegiadas para lucrar com operações na Bolsa de Valores.
— Não tínhamos ideia de quanto isso afetaria nossas vidas, nossa família, nossos filhos. Se tornar colaborar não é fácil. É uma decisão solitária, da medo e causa muita apreensão — afirmou.
O empresário afirmou, no entanto, que não se arrepende de ter optado pela colaboração. Ele diz acreditar que os erros que estariam sendo cometidos contra ele serão corrigidos pela Justiça.
Wesley também negou ter descumprido o acordo de delação e disse estar preso por um crime que não cometeu. Para ele, mesmo com todos os problemas, esta foi a delação que mais produziu resultados desde o início da Lava-Jato.
— Foi o mais eficaz que já se viu até agora no país — afirmou.
Depois da fala inicial, o empresário disse que se reservaria o direito de permanecer calado. Ele alega que, se responder às perguntas dos parlamentares, poderia prejudicar o trato feito com o Ministério Público Federal (MPF).
Ao final do depoimento, em represália à decisão do empresário de permanecer em silêncio, o presidente da comissão, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), disse que irá pedir a rescisão do acordo de delação de Wesley.

