SÃO PAULO. Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediram ao juiz Sergio Moro que sejam feitas diligências complementares no processo em que ele é acusado de receber benefícios do Grupo Odebrecht, como a compra de um imóvel destinado ao Instituto Lula e de uma cobertura vizinha à dele em São Bernardo do Campo. Em nota, afirmaram que nenhum dos valores mencionados na denúncia se relacionam com contratos da Petrobras e que o pedido de provas complementares tem como objetivo evidenciar o fato.
"Após a coleta de cerca de 100 depoimentos, mostra-se absurda a acusação em relação a Lula, bem como o fato de a ação penal estar sendo processada perante a Justiça Federal de Curitiba. Lula jamais solicitou, recebeu ou aceitou a propriedade de qualquer dos imóveis discutidos na ação", afirma a nota.
A defesa pede perícia contábil nos pagamentos das duas operações imobiliárias. O Ministério Público Federal afirma que o dinheiro para pagamento do imóvel destinado ao Instituto Lula - que nunca utilizou o imóvel - saiu da planilha italiano, destinada a controlar valores repassados ao PT e geridos pelo ex-ministro Antonio Palocci.
Em depoimento ao juiz Sergio Moro, Palocci afirmou que a denúncia contra Lula era correta. Lula afirmou que seu ex-ministro mentiu para obter vantagens da delação premiada.
Os advogados do ex-presidente afirmam que, assim como ocorreu na ação do tríplex, em que Lula foi condenado a nove meses e meio de prisão, também neste processo o caminho do dinheiro é obscuro.
Moro indeferiu acesso integral aos sistemas de contabilidade paralela da Odebrecht, pedido pela defesa de Lula. Agora, os advogados pedem perícia no arquivo eletrônico da planilha chamada "Posição Italiano", onde consta a rubrica “Predio (IL)” e valor correspondente a “12.422”. Solicitam ainda, mais uma vez, a tradução juramentada de documentos que teriam sido entregues pela Odebrecht em inglês, alemão e espanhol e cópia da investigação do Tribunal de Contas da União sobre as obras da Refinaria Abreu e Lima, da Repar e do Comperj.
Para analisar a documentação, pedem prazo não inferior a 30 dias.

