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Delatores confirmam que Jorge Luz operava propina para o PMDB

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SÃO PAULO - O lobista Fernando Soares, o Baiano, e o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró confirmaram ao juiz Sergio Moro que o operador Jorge Luz intermediava propinas de contratos da estatal para o PMDB. Os dois delatores contaram que Luz fez repasses de U$S 6 milhões para caciques do PMDB como Jader Barbalho e Renan Calheiros, além do ex-senador Delcídio do Amaral.

O lobista foi ouvido por Moro como testemunha de acusação na ação penal em que Jorge Luz e seu filho Bruno Luz são réus na Lava-Jato. Os dois foram presos na Operação Blackout. Os investigadores apontam que pai e filho eram operadores de propina junto ao PMDB no esquema de corrupção da Petrobras.

Contudo, Baiano disse que nunca tratou sobre valores com Bruno, embora admita que tenha feito em reunião com Cerveró e o ex-gerente da área internacional da Petrobras Eduardo Musa.

— Depois que a coisa (se referindo à propina)estava tava acertada, o Nestor (Cerveró) me chamou dizendo que tinha sido procurado por alguns políticos e que precisava fazer uma contribuição para alguns políticos e que o dinheiro ia para as campanhas de Delcídio, Jader e Renan. Inicialmente, o valor seria de U$S 4 milhões. Só que depois o Nestor disse que o Jorge Luz faria os repasses, mas que o valor seria de U$S 6 milhões - afirmou Baiano.

Baiano também disse ainda que Luz conseguiu amealhar propina junto a executivos da Schahin, no contrato em que a empresa era operadora do navio Vitória 10.000.

Cerveró voltou a relatar um jantar em que ele e outro diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, se comprometeram a colaborar com US$ 6 milhões para as campanhas do PMDB. Nesse encontro, foi definido que Jorge Luz seria o responsável por operacionalizar a transferência.

— O envolvimento dele [Jorge Luz] é depois, no repasse da quantia que eu tinha me comprometido a entregar para um grupo de políticos - afirmou o ex-diretor.

O encarregado de fazer as transferências das propinas recebidas pelo diretor da Petrobras aos políticos do PMDB era Baiano. Questionado pelo juiz Sérgio Moro se os peemedebistas tinham interesse de onde vinha o dinheiro, Cerveró negou.

— Os políticos não tinham nenhum interesse particular em saber qual é a origem. Em alguns casos, posteriormente, em um negócio mais específico, sim. Mas como era muito próximo da eleição, havia uma urgência de recursos. Esse jantar foi mais para definir qual a quantia que eles poderiam contar. A preocupação era qual a quantidade de recursos que a gente poderia disponibilizar - afirmou Cerveró.

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