BRASÍLIA - Afastada definitivamente do cargo de presidente da República há mais de um ano, ainda tenta anular o processo de impeachment que a tirou do poder. Em documento protocolado na última terça-feira no (STF), ela fez um apelo para que corte tome as providências cabíveis para julgar urgentemente uma ação apresentada por sua defesa em 30 de setembro de 2016. A defesa faz questão de citar depoimento prestado pelo delator , que disse ter repassado dinheiro para comprar votos favoráveis ao .
"O resultado do impeachment foi, portanto, obtido, com o pagamento ilício e imoral de parlamentares", argumentaram os advogados José Eduardo Cardozo e Renato Ferreira Moura Franco, que defendem Dilma. Funaro é ligado ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), adversário de Dilma e atualmente preso em decorrência da Operação Lava-Jato. O delator disse ter repassado R$ 1 milhão para Cunha conseguir apoios ao afastamento da ex-presidente.
Em maio de 2017, porém, quando veio a público a delação do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, comprometendo Dilma, ela soltou nota em que disse: "Mais uma vez delatores presos, buscando conseguir sua liberdade e a redução de pena, constroem versões falsas e fantasiosas." Funaro segue preso.
A defesa de Dilma também não faz menção à delação do empresário Joesley Batista, que falou de compra de votos no processo de impeachment, mas para o lado contrário. Joesley disse que negociou o pagamento de R$ 15 milhões para serem distribuídos a cinco deputados para que eles votassem contra o afastamento de Dilma.
No pedido feito no ano passado, a defesa alegou que houve vícios no processo e que faltaram provas para demonstrar que ela cometeu crime de responsabilidade. Argumentou ainda que Cunha cometeu desvio de poder, ou seja, iniciou o processo como forma de vingança contra Dilma.
Em abril, a defesa acrescentou ao processo entrevista dada pelo presidente Michel Temer, que era seu vice e herdou o cargo, à TV Bandeirantes. Na ocasião, ele disse que, se o PT tivesse votado a favor de Cunha no processo aberto contra ele no Conselho de Ética da Câmara, "é muito provável que a senhora presidente continuasse" no cargo.

