BRASÍLIA — Enquanto o presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissatti (CE), se reunia com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para discutir a cobrança dos senadores para que o senador Aécio Neves (MG) renuncie à presidência do partido, em Goiânia o prefeito de São Paulo João Doria, e o governador de Goiás, Marconi Perillo, saíram em defesa da permanência do presidente licenciado.
Os dois, que pertencem à corrente governista do partido, defendem que Aécio só saia daqui a 40 dias, quando haverá convenção nacional para eleição do seu sucessor. O governador de Goiás é um dos principais candidatos ao cargo, e recebeu o apoio público de Dória.
Doria e Perillo elogiaram a gestão de Tasso Jereissatti, mas chamaram a discussão sobre a saída de Aécio de inócua e desnecessária. Eles alegam que o senador mineiro convive com essa crise há um ano, não renunciou quando estava afastado do mandato e não será agora, que retornou, que tem que sair. Doria diz que é preciso pacificar o PSDB e que a população não está interessada em questões partidárias, mas na retomada da economia e na geração de empregos.
— A mim não me parece fazer sentido mudanças agora havendo uma eleição programada para o início do mês de dezembro para escolha do novo presidente. O que defendo fundamentalmente é o respeito a esse rito e mais do que isso, o respeito a serenidade. Nós não podemos ter um país convulsionado para discutir qualquer tema de qualquer natureza. Precisamos de equilíbrio para promover a geração de empregos e retomada econômica. É isso que a população espera. A população não está preocupada com questões partidárias. Está preocupada com o seu bem-estar — defendeu Dória.
Doria foi a Goiânia receber o título de cidadão goiano, conferido pela Assembleia Legislativa, fazer uma conferência para empresários do Fórum de Gestores e para a assinatura de protocolos de troca de experiência em programas nas áreas de saúde e gestão adotados pela prefeitura de São Paulo e pelo governo de Goiás.
Na mesma linha do prefeito paulistano, Marconi Perillo observou que há dois dias 10 senadores do PSDB votaram pelo retorno do senador Aécio Neves ao mandato, e que, na sua opinião, não se justificava, agora, pedir que o presidente licenciado antecipe sua saída do cargo.
— Ele está licenciado, ele tem legitimidade, foi escolhido presidente do partido e daqui a 40 dias haverá eleição definitiva para o Diretório Nacional do PSDB. Ele não é presidente de fato hoje, é de direito. Quem está dirigindo o partido é o senador Tasso Jereissatti . Essa é uma discussão desnecessária e inócua — criticou Marconi Perillo.

