BRASÍLIA - O grupo J&F, ao qual estão ligados o frigorífico JBS e a marca Friboi, soltou nota para dizer que é natural neste momento tentar desqualificar os executivos e funcionários da empresa que firmaram acordos de delação premiada. O texto foi divulgado poucas horas depois de o presidente Michel Temer, alvo de um inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF), ter feito um pronunciamento com duros ataques ao empresário Joesley Batista, um dos donos da J&F.
Na nota, o grupo empresarial diz que o áudio da conversa entre Joesley e Temer é legítima e não foi adulterada. Foi essa gravação, feita pelo empresário sem o conhecimento do presidente, que levou à abertura do inquérito no STF. Mais cedo, Temer chamou a gravação de clandestina e disse que ela foi manipulada e adulterada.
"É natural que, nesse momento, em função da densidade das delações, surjam tentativas de desqualificá-las", diz trecho da nota, acrescentando: "Quanto ao áudio envolvendo o presidente Michel Temer, Joesley Batista entregou para a Procuradoria Geral da República a íntegra da gravação e todos os demais documentos que comprovam a veracidade de todo o material delatado. Não há chance alguma de ter havido qualquer edição do material original, porque ele jamais foi exposto a qualquer tipo de intervenção."
No pronunciamento, Temer também disse que "o autor do grampo está livre e solto, passeando pelas ruas de Nova York". Em nota, o grupo J&F não faz menção direta a essa fala, mas diz que "quanto mais sólida e forte uma delação, maiores os graus de exposição e desgaste dos delatores". Assim, eles "assumiram e ainda assumem um enorme risco pessoal, com ameaças à sua vida e à segurança da sua família".
A J&F também defendeu o mecanismo da delação premiada. "Fica cada vez mais claro que não seria possível expor a corrupção no país sem que pessoas que cometeram ilícitos admitissem os fatos e informassem como e com quem agiram, fornecendo indícios e provas", diz a nota.
O texto destaca que a colaboração de Joesley e dos outros delatores é muito diferente de todas que já foram feitas. Foram prestados depoimentos, fornecidos documentos e também realizadas ações controladas com autorização judicial, como gravações.
"A negativa de denúncia e o perdão judicial são previstos pela legislação em vigor. A possibilidade de premiação excepcional para uma colaboração igualmente excepcional é de grande importância para o êxito do mecanismo da colaboração premiada", destacou o grupo.
Veja a íntegra da nota:
"A J&F considera fundamental ressaltar a importância do mecanismo da colaboração premiada, que está permitindo que o Brasil mude para melhor. Fica cada vez mais claro que não seria possível expor a corrupção no país sem que pessoas que cometeram ilícitos admitissem os fatos e informassem como e com quem agiram, fornecendo indícios e provas.
A colaboração de Joesley Batista e mais seis pessoas é muito diferente de todas que já foram feitas até aqui. Além da utilização de ação controlada com autorização judicial, houve vastos depoimentos, subsidiados por documentos, que esclarecem o modus operandi do cerne do sistema político brasileiro.
Quanto mais sólida e forte uma delação, maiores os graus de exposição e desgaste dos delatores. No caso dos sete executivos, eles assumiram e ainda assumem um enorme risco pessoal, com ameaças à sua vida e à segurança da sua família.
A negativa de denúncia e o perdão judicial são previstos pela legislação em vigor. A possibilidade de premiação excepcional para uma colaboração igualmente excepcional é de grande importância para o êxito do mecanismo da colaboração premiada.
É natural que, nesse momento, em função da densidade das delações, surjam tentativas de desqualificá-las.
Quanto ao áudio envolvendo o presidente Michel Temer, Joesley Batista entregou para a Procuradoria Geral da República a íntegra da gravação e todos os demais documentos que comprovam a veracidade de todo o material delatado.
Não há chance alguma de ter havido qualquer edição do material original, porque ele jamais foi exposto a qualquer tipo de intervenção.
Joesley Batista e outros colaboradores ressaltam a sua segurança com a veracidade de todo o conteúdo que levaram ao conhecimento do Ministério Público. Eles não hesitarão, se necessário, em fornecer os meios para reforçar as provas que entregaram.”

