BRASÍLIA - A presidente do Supremo Tribunal Federal () e do Conselho Nacional de Justiça (), ministra Cármen Lúcia, participou nesta sexta-feira da inauguração do de (GO), no Entorno de Brasília. A expectativa é que a nova unidade, com 300 vagas para presos já condenados, possa receber parte dos presos que estavam na unidade de , na região metropolitana de Goiânia, onde uma no mês passado deixou nove detentos mortos. Na cidade, parte da população se movimenta para evitar essa transferência.
A unidade de Aparecida de Goiânia será demolida. Outra será construída, num local diferente, em seis meses. Pouco depois de a rebelião estourar em janeiro, Cármen Lúcia chegou a visitar a cidade, mas, por questões de segurança, não entrou na unidade. O presídio de Aparecida de Goiânia sofria com a superlotação. Segundo o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, isso não ocorrerá em Formosa.
— O dever daquele que erra de ter de pagar por esse erro, mas tem que cumprir a pena em condições que permitam que volte acertado à sociedade. Nada mais do que isso e com dignidade, o que não tem ocorrido no sistema penitenciário — discursou Cármen Lúcia.
— O nosso compromisso é não passar dos 300. São 300 e só — disse Marconi para a presidente do STF enquanto os dois caminhavam pelo presídio, reforçando isso depois no discurso de inauguração:
—É presídio para 300 vagas. Não é para 301.
Serão 150 agentes penitenciários trabalhando no presídio. Segundo o vice-governador José Eliton, os 110 presos da cadeia localizada no centro de Formosa, que será desativada, serão transferidos para a nova unidade, o que poderá ocorrer em poucos dias. Quanto ao preenchimento das outras 190 vagas, ele disse que isso ainda está sendo discutido. O vice-prefeito de Formosa, Gustavo Marques, presente na cerimônia, destacou que era contra a construção do presídio, mas, uma vez erguido, a prefeitura conseguiu o compromisso do governo de que as vagas sejam preenchidas primeiramente pelos detentos da cidade.
— O que a gente pede primeiro é uma análise minuciosa (dos presos de fora que podem ser transferidos) para vir para cá. Já falta PM na cidade. Para vir facção e não vir policial... — argumentou o vice-prefeito, acrescentando: — É certo que vai vir preso (de fora), mas não sabemos quem será.
Entre os moradores, o sentimento é parecido.
— É bom que tira os presos do centro. Mas não queremos os de Aparecida de Goiânia — disse o aposentado Manoel Araújo, presente na inauguração.
Ao todo, estão previstos mais quatro novos presídios no estado, nas cidades de Anápolis, Planaltina de Goiás, Águas Lindas e Novo Gama, totalizando. Os investimentos serão de R$ 110 milhões. Com exceção de Anápolis, todas as outras ficam no Entorno de Brasília. Após a inauguração do presídio de Formosa, Cármen Lúcia e Marconi seguem para Goiânia. Lá eles participarão de cerimônia de destruição de armas e de uma reunião para tratar da situação do sistema carcerário de Goiás.

