SÃO PAULO — Um dia após dependentes químicos, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) declarou, na manhã desta sexta-feira, que o impacto das ações na região tem sido “bom” pela constante procura por tratamento. Só no último mês, os usuários e traficantes se concentraram em três lugares diferentes no centro da capital paulista.
Até maio deste ano, os dependentes químicos ocupavam o quarteirão das ruas Dino Bueno e Helvétia, no centro da cidade, próximo à região da Luz. Após uma operação policial, que prendeu traficantes e utilizou bombas de gás nos frequentadores do fluxo, o grupo se deslocou para a Praça Princesa Isabel, também no centro. O local foi cercado por policiais, guardas civis e recebeu nova iluminação, o que teria incomodado os traficantes, pois se sentiam “expostos” no local. Na noite de quarta-feira, os usuários migraram em bloco mais uma vez, para a alameda Cleveland, localizada a uma quadra do local onde o grupo se concentrava originalmente.
— O resultado tem sido bom, porque aumentou a procura por tratamento. Tínhamos na Dino Bueno, na Helvétia, mil pessoas e hoje na Júlio Prestes, no pico, 300, em média 200 pessoas. Internamos 523 pacientes — disse o governador em entrevista à Super Rádio.
Dados fornecidos por Lei de Acesso à Informação ao SPTV, da TV Globo, apontam apreensão de 1,88 kg de crack no Estado entre janeiro e abril de 2017. No mesmo período, em 2016, a quantidade foi de 9,7kg. Nas delegacias de Campos Elíseos e Santa Cecília, as mais próximas do chamado “fluxo”, na região central do município, foram apreendidos apenas 78g da droga — 34,8% em relação ao conteúdo apreendido no ano passado.
— A gente tinha 800 pessoas nas ruas. No pico chegava a mil. Fizemos uma intervenção em 21 de maio e tivemos a prisão de mais de 120 traficantes — disse Alckmin.
Indagado sobre a possibilidade de se candidatar à presidência em 2018, Geraldo Alckmin desconversou e falou apenas sobre quadro político geral, citando dificuldades econômicas. Em meio às discussões sobre a permanência do PSDB no governo de Michel Temer, o governador paulista é apontado como um dos nomes fortes do partido para a presidência no próximo ano. Alckmin, inclusive, está entre os políticos contrários a uma eventual saída do governo.
— A democracia precisa ter legitimidade. Eu fui governador com voto e sem voto. Fui governador substituindo o querido e saudoso Mario Covas e fui governador eleito três vezes. É totalmente diferente. O presidente Temer enfrenta uma grande dificuldade, que é não ter passado pelas urnas. Ano que vem quem for eleito vai ter muita legitimidade — observou.

