BRASÍLIA - A estatal mineira Codemig diz ter descartado registros de visita que poderiam comprovar a presença de um dos delatores da Odebrecht na sede da empresa para uma reunião na qual teria sido debatido o pagamento de propina para o senador Aécio Neves. O pedido dos registros de entrada e saída do ex-executivo Sérgio Neves em setembro de 2014 foi uma das diligências solicitadas pela Procuradoria-Geral da República e deferida pelo relator da Lava-Jato no Supremo, ministro Edson Fachin. O GLOBO solicitou a informação por meio da Lei de Acesso à Informação e a empresa disse não possuir mais esses registros.
"No período solicitado para a informação, o controle interno de visitantes, nas dependências do Edifício Sede da CODEMIG, era feito manualmente, já tendo sido descartados", afirma a empresa.
Sérgio Neves disse aos investigadores que esteve na sede da Codemig entre 18 e 22 de setembro de 2014 para uma reunião com Oswaldo Borges, que presidia a empresa e é apontado como um tesoureiro informal de Aécio. Sérgio Neves teria lhe informado nesta reunião que não teria como providenciar de uma vez a entrega dos R$ 15 milhões solicitados por Aécio a Marcelo Odebrecht. O delator afirma que a proposta apresentada foi de parcelar os pagamentos a partir de outubro em repasses semanais de R$ 1 milhão. Borges teria manifestado preocupação com a proposta. Sérgio Neves disse não ter sido mais procurado pelo então presidente e acreditar que o pagamento não foi realizado. Marcelo Odebrecht, por sua vez, afirma que os recursos foram repassados.
Apesar de os relatos se tratarem de caixa dois para a campanha de 2014, a Procuradoria-Geral da República decidiu investigar Aécio por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso por entender que a Odebrecht teria recebido contrapartidas. No mesmo inquérito, apura-se a informação de delatores de que teriam ocorrido pagamentos mensais de R$ 500 mil ao PSDB, a pedido de Aécio, e de que um contrato de R$ 3 milhões da empreiteira com o marqueteiro Paulo Vasconcelos seria fictício, uma vez que o profissional atendida, na realidade, o tucano.
Quando os inquéritos que envolvem seu nome foram divulgados, Aécio afirmou, por meio de nota que "o fim do sigilo das delações demonstra a fragilidade e a falsidade das citações". Disse que todo o financiamento solicitado por ele foi "sempre de acordo com a lei" e que nunca houve qualquer contrapartida.
Oswaldo Borges afirma ser uma pessoa de confiança de Aécio, que o ajudou em contatos na campanha, mas nega ter recebido dinheiro. Paulo Vasconcelos, por sua vez, afirma que as delações contém informações falsas e que conduziu todas as campanhas de que participou dentro do que estava previsto na lei.

