SÃO PAULO. O ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Junior disse, em depoimento de delação premiada, que fez pagamentos de dinheiro oriundo de propina para a empresa GW Comunicação, que pertence ao marqueteiro das campanhas presidenciais de José Serra em 2010 e de Geraldo Alckmin em 2006, Luiz Gonzalez.
De acordo com Benedicto, os pagamentos estavam vinculados às obras de expansão da linha 2 do Metrô de São Paulo.
— (Foram feito) valores de pagamento para uma empresa chamada GW Comunicação.
Além das campanhas presidenciais de 2006 e 2010, Gonzalez foi responsável pelas campanhas de Serra à prefeitura de São Paulo em 2004 e 2012. O marqueteiro não foi localizado.
O senador José Serra, segundo ele, também recebeu repasses relativos à obra.
— Também houve pagamentos para codinomes careca, vizinho e santista, que na interpretação que eu fiz eram para José Serra. É uma inflexão correta que era José Serra — afirma Benedicto, em vídeo.
Questionado mais adiante sobre os motivos dos pagamentos, o ex-executivo afirmou que se tratava de “propina para os servidores públicos”. Ao falar sobre os pagamentos para Serra, disse:
— Saíram da obra como se fosse propina destinada ao codinome que a gente identificava como José Serra.
Benedicto falou que não tratava diretamente desses pagamentos, mas tinha conhecimento deles e pode ter dado autorização para alguns.
O ex-executivo relatou ainda o pagamento de propina a ex-diretores do Metrô. Também disse que houve pagamento de propina nas obras da linha 6 e da linha 4.
Em outro depoimento, Arnaldo Cumplido da Silva, diretor de contratos da Odebrecht, confirmou ter feito dois pagamentos indevidos a um representante do governo do estado de São Paulo, durante o processo de desapropriação de imóveis para a construção da linha 6 do Metrô de São Paulo. A obra, que liga o bairro da Brasilândia, na zona Norte, à Liberdade, no centro, deve ser entregue no ano 2021.
Segundo ele, foram feitos dois pagamentos em dinheiro, totalizando R$ 700 mil. O primeiro aconteceu em janeiro de 2014, de R$ 500 mil, e outro em setembro, de R$ 200 mil. O dinheiro, segundo Cumplido, foi entregue a Sérgio Brasil, do comitê gestor de PPPs do governo de São Paulo.

