BRASÍLIA - O ministro Edson Fachin, relator dos processos na Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que áudios de conversas ligadas à investigação do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e do deputado afastado Rocha Loures (PMDB-PR) sejam separados da ação. A medida foi tomada um dia depois da polêmica em torno da divulgação de interceptações telefônicas em que os investigados falam com jornalistas. A Constituição garante aos profissionais da imprensa o sigilo da fonte.
"Certifico que, em cumprimento ao despacho proferido em 24 de amio de 2017, desentranhei as mídias de folhas 249 e 386 e sa encaminhei à Seção de Recebimento de Distribuição de Originários para as providências cabíveis", diz trecho de documento de Fachin. Nas folhas 249 e 386 do processo, estão juntados dois envelopes com CDs que contém as gravações. O teor do despacho com a decisão ainda não foi divulgado.
As mídias estão em uma ação cautelar em que Fachin autorizou escutas telefônicos em aparelhos de várias pessoas. Entre elas Aécio, Rocha Loures, Andrea Neves (irmã e Aécio), Frederico Pacheco (primo do senador) e o empresário Joesley Batista.
Joesley, dono do frigorífico JBS, é um dos sete delatores ligados à empresa. Seus depoimentos e provas entregues, inclusive uma gravação de uma conversa do presidente Michel Temer, levaram à abertura de novas investigações e ao recrudescimento da crise política.
Um dos jornalistas que tiveram suas conversas reveladas foi Reinaldo Azevedo, que falou por telefone com Andrea Neves. Ele pediu demissão da revista "Veja" após esse episódio.

