SÃO PAULO. Cerca de 300 famílias ligadas ao Movimento Sem Terra (MST) ocuparam na madrugada desta segunda-feira a fazenda Santo Henrique, localizada no município de Borebi, a cerca de 300 km de São Paulo. O local é invadido com frequência pelo movimento, que acusa a empresa dona da fazenda, produtora de suco de laranja, de uso indevido do espaço de 2,5 mil hectares.
Tanto o Incra quanto o MST alegam que a fazenda Santo Henrique seria parte do antigo Núcleo Coloinal Monção, um conglomerado de 40 mil hectares utilizado pelo governo federal para ocupar o espaço no início do século XX. Ambos defendem que, apesar de ainda pertencer à União, a fazenda teria sido apropriada por "empresas do agronegócio de cana, laranja e eucalipto". O MST acusa as empresas de supostamente cometerem crimes de grilagem de terra e desrespeito aos trabalhadores rurais.
Em 2013, a Justiça Federal de Ourinhos bloqueou a matrícula da fazenda ao considerar a possibilidade de que o terreno fizesse parte das terras da União. Na ocasião, a empresa afirmou possuir todos os documentos que comprovam a legalidade do uso do local pela empresa. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) reivindica na Justiça, desde 2006, a posse do região.
A invasão foi justificada pelo movimento como ação integrada à Jornada Nacional de Lutas do MST, realizada em abril, que visa a Reforma Agrária no país. Ao todo, há 120 mil famílias acampadas por todo o Brasil, sendo 3 mil apenas no estado de São Paulo.

