BRASÍLIA — Presidente interino do PMDB do Rio e filho do ex-governador Sérgio Cabral, o deputado federal Marco Antônio Cabral (PMDB-RJ) esteve com o presidente Michel Temer nesta quarta-feira, no Palácio do Planalto, e sugeriu que Temer marque uma conversa com o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, na tentativa de segurá-lo no partido.
A ideia é que Temer e o ministro Moreira Franco (Secretaria Geral), ex-governador do Estado, façam movimentos de aproximação com Paes para que ele decida concorrer a governador do Rio pelo PMDB. Com isso, o candidato a presidente da República apoiado por Temer, ou mesmo se ele tentar concorrer à reeleição, também terá um palanque forte no Estado.
Com a crise que levou à prisão os principais caciques do partido — entre eles, Sergio Cabral e o presidente da legenda há 17 anos, Jorge Picciani — Paes intensificou as conversas com outros partidos por uma preocupação de que fosse prejudicado pelo cenário de terra arrasada do PMDB fluminense. Peemedebistas avaliam, no entanto, que o "ônus" que Paes terá que enfrentar no partido, pela relação que tem com os presos, vai acompanhá-lo caso ele migre para outra legenda.
— Não vejo nenhum benefício para o Eduardo se ele sair do MDB. No partido ele terá toda a estrutura de tempo de televisão, fundo partidário, deputados pedindo votos para ele, e com a gente ele já conhece os desgastes que vai enfrentar. Tenho certeza que dá para ele ser eleito governador do Rio no MDB — afirmou Cabral ao GLOBO.
Marco Antônio é quem vem comandando o PMDB do Rio desde a prisão de Jorge Picciani. A avaliação de caciques da legenda é de que será preciso trocar o comando do partido, mas de forma cuidadosa, já que o reinado de Picciani fez crescer a importância regional da legenda. Por enquanto, Cabral fica no comando do PMDB do Rio.

