BRASÍLIA- A de Curitiba pediu aos juiz que desconsidere os benefícios previstos no de um dos 77 delatores da Odebrecht, o ex-gerente da empreiteira . Ele é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha na construção da sede da Petrobras em Vitória.
Como informou o GLOBO, o ex-executivo voltou atrás na informação de que a contratação de um consultor para atuar nas obras da sede da estatal no Espírito Santo visava facilitar a aprovação de pleitos da empreiteira junto a um funcionário Petrobras. A Odebrecht integrou o consórcio OCCH, responsável pelo projeto, juntamente com Camargo Correa e Hochtief.
Os procuradores se irritaram com a postura do delator no depoimento dado a Moro no mês passado e alertaram sua defesa dele que solicitariam que os benefícios assegurados no acordo de delação não fossem aplicados. Na peça que integra as alegações finais deste processo, a força-tarefa afirma que "durante o seu segundo interrogatório, quando confrontado com as provas constantes nos autos, inclusive as decorrentes de seu próprio acordo de colaboração, Paulo Boghossian limitou-se a apresentar respostas evasivas e contraditórias, em manifesto desacordo com as obrigações pactuadas em seu acordo de colaboração".
Diz ainda que o ex-gerente da Odebrecht "não reconheceu as próprias condutas criminosas, retratou-se da opção de não exercer o direito de não se autoincriminar", tolhendo assim, "a eficácia do acordo, dificultada a obtenção de prova de crime praticado pelo próprio colaborador".
Para fundamentar o pedido de suspensão dos benefícios, os procuradores alegam na peça que Boghossian contradisse os próprios documentos que apresentou em seu acordo de delação ao dizer a Moro "não saber que a contratação da empresa Freitas Filho Construções tinha como objetivo interferir no processo de aprovação dos aditivos firmados pelo Consórcio OCCH com a Petrobras".
No anexo de sua delação, Boghossian afirmou que tinha conhecimento de que a contratação de Freitas visava facilitar a aprovação de pleitos e alterações de escopos requeridos junto ao funcionário da Petrobras Celso Araripe, que era o gerente do empreendimento em Vitória por parte da estatal. No depoimento que deu aos procuradores em dezembro de 2016, após assinar sua colaboração, ele relatou que "as coisas começaram a caminhar" com a contratação de Freitas.
Na manifestação, a força-tarefa questiona também a afirmação de Boghossian de que as decisões do consórcio eram tomadas pelo conselho diretor do consórcio responsável pela obra. Eles afirmam que quatro testemunhas relataram que o então gerente da Odebrecht era o principal responsável pelas decisões do consórcio pois atuava junto ao conselho diretor.
Como os as obras da sede de Vitória da Petrobras são o único tema do acordo de Boghossian, a força-tarefa afirma que a tratativa se tornou ineficaz e pede a suspensão dos benefícios, que incluía a certeza de que o executivo não seria preso. Cabe ao juiz Sergio Moro decidir se aplicará o pedido dos procuradores e suspenderá as garantias asseguradas ao executivo.

