Tropas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica iniciaram, na tarde desta sexta-feira, um cerco à Rocinha, na Zona Sul, conforme havia sido anunciado mais cedo pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, a pedido do governador Luiz Fernando Pezão. Pela manhã, um forte tiroteio levou pânico a moradores da comunidade e do entorno e provocou o fechamento da Autoestrada Lagoa-Barra por quatro horas.
A primeira equipe a chegar à comunidade foi o destacamento avançado de reconhecimento e comunicação do Exército. Durante a operação, dez veículos blindados das Forças Armadas entraram na Rocinha pelo Largo das Flores, localizado no entroncamento entre a Estrada da Gávea e a Avenida Niemeyer. No interior da comunidade, o comércio foi fechado, e carros e motos estão proibidos de circular no interior da favela. A PM, por sua vez, faz uma ação de patrulhamento na Rocinha.
A autoestrada Lagoa-Barra, via de acesso entre a Zona Sull e a Barra da Tijuca que chegou a ficar bloqueada por quatro horas na manhã desta sexta-feira, teve um um aumento de fluxo no fim da tarde, embora o número de veículos que passam pela região ainda seja bem menor do que normal para o horário. Com medo de novos tiroteios na Rocinha, motoristas evitam passar pela Avenida Lagoa-Barra, que está praticamente vazia.
Em entrevista ao RJ-TV, a coordenadora da unidades municipais de saúde da Zona Sul, Paula Travassos, disse que as unidades de saúde da Rocinha não funcionarão neste fim de semana. Travassos ressaltou que a medida é necessária para preservar a segurança dos agentes de saúde que trabalham na comunidade.
EFETIVO DE 950 HOMENS DAS FORÇAS ARMADAS
O efetivo total de homens das Forças Armadas destinado à missão é de 950 homens. Mais cedo, o general Mauro Sinot, do Exército, informou que as Forças Armadas estão prontas para atuar em apoio às ações da Polícia Militar na Rocinha, que desde o o último fim de semana se tornou palco de uma guerra entre facções ligadas aos traficantes Nem da Rocinha e Rogério 157.
Segundo Jungmann, a medida é para que as polícias locais possam subir o morro e “fazer o enfrentamento” dos traficantes. De acordo com o ministro, o Comando Militar do Leste (CML) — que abrange os estados do Sudeste e tem sede no centro do Rio — tem 30 mil agentes. Dez mil homens seriam alocados mais rapidamente por questões operacionais, disse o ministro.
As Forças Armadas vão empregar 14 blindados no cerco. Segundo o contra-almirante Roberto Rossatto, chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, as tropas vão atuar no modelo semelhante que foi empregado em outras operações do Rio, de combate ao crime organizado. Segundo o contra-almirante, não há previsão de as tropas entrarem na favela.

