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Governistas articulam para que Aécio reassuma a presidência do PSDB

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BRASÍLIA - Governadores, ministros, parlamentares governistas e lideranças de peso do PSDB articulam para que o senador Aécio Neves (MG) suspenda sua licença da presidência do partido e reassuma o mais rápido possível no lugar do interino Tasso Jereissatti (CE).

A proposta é que Aécio reassuma o mandato e indique um novo presidente interino. O nome para o mandato tampão até dezembro (data da convenção para escolha do sucessor definitivo de Aécio) pode ser do líder do partido no Senado, Paulo Bauer (SC), vice-presidente regional da sigla e um dos mais próximos parlamentares ligados ao presidente licenciado.

— Acho que o Aécio reassume hoje — disse um dos governadores tucanos ao GLOBO nesta sexta-feira.

No entanto, alguns aliados de Aécio acham que não dá tempo de fazer esse movimento ainda hoje, já que não tem ninguém em Brasília e ele quer conversar primeiro com o próprio Tasso e membros da Executiva nacional, inclusive o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

— O Aécio está licenciado e, pelo estatuto, pode suspender a licença e reassumir a qualquer momento, independente de Tasso devolver ou não o cargo. Ele interrompe a licença e volta. Quando reassumiu o mandato, há dois meses, perguntou ao Tasso sobre o programa e ele respondeu que já estava pronto e deu no que deu — explicou um dos aliados de Aécio.

O movimento para recolocar Aécio na presidência é feito por tucanos ainda indignados com o que chamam reservadamente de “traição”. Eles afirmam que o programa de TV veiculado na noite da última quinta-feira não é do partido, mas de Tasso.

Esses peessedebistas consideram o resultado do programa desastroso para a unidade do partido e também para a disputa eleitoral, ao deixar em posição vulnerável os ministros do partido no governo. Na opinião deles, Tasso estaria inviabilizado de continuar.

Integrante da ala governista e que foi relator da reforma trabalhista na Câmara, o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) disse que se sentiu "indignado" com o tom do programa do PSDB e criticou o fato de as acusações de corrupção e barganha de votos terem sido feitas de forma genérica, atingindo a todos. Nos bastidores, os tucanos trocam mensagens de forma frenética, numa reação ao que chamam de autoritarismo de Tasso, que não consultaria ninguém sobre as posições,

Os tucanos governistas reclamam que Tasso tem sistematicamente ignorado a decisão da Executiva Nacional, que decidiu não romper com o governo, ao não tomar decisão alguma a respeito. Para Marinho, o programa foi um erro porque colocou como responsabilidade do PSDB os "desgovernos dos últimos 13 anos, que foram do PT".

— O programa do PSDB demonstrou uma posição do presidente Tasso e não do partido. E essa não é a primeira vez que ele se comporta desta forma. Tasso tem dificuldade de contabilizar o sentimento da maioria. Acredito que ele perdeu as condições de comandar o partido. Esse é o meu sentimento e de parte da bancada — disse Marinho.

Como defensor das reformas, ele se disse indignado com trechos do programa que acusaram o governo Temer de compra de votos e negociações para a aprovação de suas propostas.

_ Não visto essa carapuça e repudio de forma veemente (essas acusações). O programa, se era para fazer uma autocrítica, deveria ter dito quais erros cometemos. Passou o sentimento de que somos os responsáveis pelas questões dos últimos 13 anos no país, sendo que quem estava no governo era a oposição. E o nosso principal adversário, que é o PT, foi deixado incólume _ disse Marinho.

A expectativa é que a cúpula do partido convoque uma reunião até o início da próxima semana. O PSDB hoje tem três vices-presidentes que também poderiam assumir o comando: o ex-vice-governador de São Paulo. Alberto Goldman; e os deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Giuseppe Vecci (PSDB-GO).

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