BRASÍLIA — Em mais um capítulo da guerra que vem sendo travada há três semanas entre governo e oposição na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, não foi votada na sessão desta terça-feira a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a realização de eleições diretas até seis meses do fim do mandato, em caso de vacância do cargo de presidente da República. Foi a segunda vez que a matéria foi apresentada para votação.
Desde que se instalou a crise que abateu o Palácio do Planalto, com as revelações da JBS, quando a matéria é pautada a base aliada obstrui a votação. E quando a PEC não consta da pauta, quem obstrui é a oposição. Enquanto a proposta não é votada, os dois lados se enfrentam nos discursos.
— Obstrução sim, para o Brasil continuar crescendo e em paz. A oposição quer botar fogo no país, quer criar fatos para parar a recuperação econômica do país. Eleição direta agora é querosene pura. Esse momento é grave, (mas) a gravidade está diminuindo — afirmou Darcísio Perondi (PMDB-RS), principal membro da tropa de choque do presidente Michel Temer.
— Vamos continuar insistindo para que essa PEC seja apreciada. Ao contrário do que foi dito, acreditamos que esta é a única forma de pacificar o país. Não temos como, diante da abertura de inquérito por organização criminosa, fingir que está tudo bem — rebateu Alessandro Molon (Rede-RJ).
Depois de quase duas horas de discussão, sem avançar para a votação, o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), disse que vai continuar botando a PEC na pauta de votação da comissão. E marcou para a sessão da próxima semana um novo round.
— Não pode por um item apenas travar toda a pauta da CCJ — lamentou.
Também foi tema do debate a denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve apresentar contra Temer, e a decisão do PSDB de permanecer no governo. Se a denúncia for apresentada, a CCJ é o primeiro fórum de discussão sobre o tema.
— Foi um abraço dos afogados. PSDB e PMDB se abraçaaram. Isso só foi possível porque a paciência do povo ainda não se esgotou, mas vai se esgotar. Desde já peço que o voto (sobre a denúncia contra Temer) seja nominal, aberto e num domingo, como foi o impeachment — provocou Ivan Valente (PSOL-SP).
Perguntado sobre uma eventual denúncia contra Temer, após o fim da sessão, Pacheco não quis se pronunciar:
— Trata-se de um assunto jurídico. Enquanto não houver denúncia ofertada a prudência recomenda que eu não comente.

