SÃO PAULO. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) rebateu nesta sexta-feira a afirmação do seu sucessor, João Doria (PSDB), de que recebeu a cidade com um déficit nas contas de R$ 7,5 bilhões. A afirmação do tucano havia sido feita durante o encontro “E agora, Brasil?”, promovido pelo GLOBO.
De acordo com Haddad, é “absolutamente natural que em função do apoio do atual prefeito ao governo federal, ele tenha dificuldades para lidar com ‘frustração de receitas municipais’, sobretudo quando ditadas pelo comportamento recessivo da economia”.
O petista afirmou ainda que a sua gestão “foi a que mais investiu na cidade nos últimos 20 anos, totalizando mais de R$ 16 bilhões, sem contar com os repasses prometidos e não cumpridos do governo federal”. “Foi por ação exclusiva da administração anterior que a dívida da cidade com a União foi reduzida de impagáveis R$ 96 bilhões, para pouco mais de R$ 27 bilhões.”
Haddad ainda diz que não precisou se valer de privatizações, como planeja fazer Doria, para manter as contas da cidade equilibradas. “A gestão financeira da cidade no período Haddad foi tão eficiente, que chegou a receber o grau de investimento AA+ da agência Fitch. Isso, sem ter lançado mão da privatização de próprios ou serviços municipais”, diz nota divulgada pela assessoria do ex-prefeito.
O ex-prefeito também rebateu as críticas feitas por Doria ao programa Braços Abertos, de redução de danos, que oferecia emprego a usuários de crack em atividades remuneradas pela prefeitura. O tucano disse, durante o encontro “E agora, Brasil?”, que a gestão anterior criou o “Bolsa Crack”. “Não surpreende que o atual prefeito não apoie uma política de redução de danos. Para quem defende, como ele, o capital como estratégia para enfrentar pobreza e desigualdade, é natural que ele proponha a internação compulsória (ainda que tenha sido derrotado na Justiça).”

