O adolescente que foi torturado por dois seguranças do supermercado da rede Ricoy, na Zona Sul de São Paulo, reconheceu na Justiça os dois agressores na tarde desta sexta-feira (11), em audiência na 25ª Vara Criminal da Barra Funda, em São Paulo. A família da vítima sofreu ameaças. O crime foi filmado pelos seguranças e divulgado em redes sociais.
Segundo um site de notícias do Globo apurou, a defesa dos dois seguranças havia pedido habeas corpus para tentar colocá-los em liberdade durante o curso do processo. Ambos foram negados.
Um dos seguranças acusados de tortura é Waldir Bispo dos Santos, que foi preso no dia 7 de setembro. Ele se apresentou à polícia no Aeroporto de Congonhas acompanhando do advogado. O outro segurança é David de Oliveira Fernandes, preso no dia 6 de setembro.
Em decisão no 26 de setembro, a desembargadora Ivana David contestou a versão da defesa do segurança Waldir, que colocou em dúvida a credibilidade da versão de tortura feita pelo adolescente, dizendo que a vítima havia mentido. A juíza manteve a prisão preventiva de Waldir e atestou a materialidade das provas e dos indícios de autoria dele nos crimes.
No dia 1º de outubro, a desembargadora também negou habeas corpus da defesa de David de Oliveira Fernandes, que alegava serem insuficientes as provas colhidas no inquérito policial para justificar a prisão, alegando que a vítima apresentou argumentos genéricos e ilações sobre a gravidade de crimes abstratos. A juíza manteve a prisão preventiva de de David e também atestou a materialidade das provas e dos indícios de autoria dele nos crimes.
Em depoimentos à polícia e à Justiça, o adolescente disse que o caso ocorreu em agosto e que foi a terceira vez que os mesmos seguranças o agrediam por furto de chocolate. Segundo ele, embora o vídeo tenha 40 segundos, a sessão durou 40 minutos. O rapaz mora na rua desde os 12 anos e já passou pela Fundação Casa.
A pena para um crime de tortura pode variar de 2 a 8 anos de prisão.

