Início Brasil Juiz do DF rejeita pedido de liberdade de Eduardo Cunha
Brasil

Juiz do DF rejeita pedido de liberdade de Eduardo Cunha

rês ordens de prisão contra Cunha

Envie
Envie

BRASÍLIA — O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, rejeitou pedido de revogação de uma das ordens de prisão que pesam contra o ex-deputado Eduardo Cunha. Para o juiz, não há nenhum fato novo que justifique a substituição da prisão preventiva por outra medida menos rigorosa.

A ordem de prisão contra Cunha questionada foi expedida pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a partir das delações dos executivos da J&F Joesley Batista e Ricard Saud em maio do ano passado. Cunha é acusado de receber dinheiro de Batista para não delatar o presidente Michel Temer, entre outros, conforme descreve Vallisney no despacho de três laudas em que decidiu manter Cunha preso.

O advogado Délio Lins Filho, responsável pela defesa do ex-deputado, pediu revogação da prisão com o argumento de que Cunha não cometeu qualquer irregularidade depois de perder o mandato. Afirma ainda que outros investigados, presos no mesmo período, já estão soltos.

O advogado alega ainda que não há provas que sustentem as acusações dos executivos da J & F contra o ex-deputado. Vallisney tem entendimento diferente sobre a questão. Para ele, Cunha fazia parte de uma organização criminosa, cometeu crimes pelo menos desde 2003 e até usou a influência política para "locupletar-se".

Para o juiz, o ex-deputado não se desvinculou do mundo do crime nem depois de preso."As captações ambientais, ações controladas e interceptações telefônicas realizadas no presente caso, além dos depoimentos de Joesley Batista, Florisvaldo Caetano Oliveira e Francisco de Assis e Silva, sinalização o pagamento de vantagem indevida a Eduardo Cunha, mesmo depois de preso, com o objetivo de compensar dívidas de propina e mantê-lo tranquilo, e em silêncio, em relação a fatos que pudessem afetar outros envolvidos, como a cúpula dos integrantes do PMDB da Câmara, não se tratando de fatos desconexos e sem corroboração", afirmou.

Vallisney argumenta ainda que, pela "periculosidade, poder de influência e contumácia na prática de ilícitos", a situação de Cunha é diferente de outros envolvidos. Por isso, o ex-deputado deve ser mantido preso. Procurado pelo GLOBO, o advogado reafirmou que não há motivo para a prisão do ex-deputado.

— A prisão de qualquer pessoa por mais de um ano, sem que haja sequer denúncia oferecida, é totalmente despropositada e atenta contra as garantias mais básicas de qualquer ser humano. A única explicação plausível para isso é absolutamente lombrosiana: o nome do preso é Eduardo Cunha — disse Lins.

O caso deve ter ainda outros desdobramentos no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), a quem caberá decidir conflito de competência sobre o foro adequado para processar o ex-deputado neste caso específico. O advogado pediu que a transferência do processo para a 12ª Vara, onde tramita outro processo contra outros supostos cúmplices de Cunha. O Ministério Público defendeu que o caso permaneça na 10ª Vara.

Com a decisão de Vallisney, permanecem em vigor três ordens de prisão contra Cunha, duas decretadas em Brasília e uma outra expedida pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, onde o ex-deputado está preso. O ex-deputado tinha ainda uma quarta ordem de prisão, mas ela foi revogada pelo ministro Marco Aurélio Mello, do STF, no final de junho.

Siga-nos no

Google News