SÃO PAULO - A Justiça de São Paulo concedeu indenização de R$ 750 mil por danos morais à família de um jovem morto aos 17 anos durante abordagem policial em 2012, em Itaquera, Zona Leste da capital. Yago Batista de Souza estava com amigos quando parado por dois agentes. Um deles disse que a arma disparou acidentalmente contra a vítima.
Na decisão do juiz Danilo Mansano Barioni, da 1ª Vara da Fazenda Pública, o Estado foi condenado a pagar R$ 300 mil para a mãe da vítima, Cleuza Batista Lamim, mais R$ 300 mil para o pai, Evandro de Jesus Souza, e R$ 150 mil para o irmão de Yago, Leandro Batista Lamim.
“Não resta a menor dúvida quanto à ocorrência dos danos morais que acometem os pais e irmão em razão de estúpida, trágica, hedionda morte de seu filho e irmão”, escreve o juiz em sua decisão.
O advogado da família, Ademar Gomes, disse ao GLOBO que vai recorrer, para que a família do adolescente morto também receba por danos materiais ou uma pensão.
— A família ainda está muito abalada com tudo o que aconteceu. A mãe dele faz tratamento psicológico até hoje. Quando ocorreu o crime, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que ia ajudar, mas nunca deu uma quantia — afirma Gomes.
O juiz, no entanto, explica na decisão que Yago tinha 17 anos quando morreu, e não trabalhava, o que torna injustificável a mensalidade. “O pedido indenizatório não tem sequer construção argumentativa, é jogado a esmo. Não se sabe o que os pais fazem para a manutenção familiar”, argumentou Barioni.
Em fevereiro de 2012, Yago estava com amigos quando abordado por dois policiais, para averiguação de rotina, de acordo com depoimento dos agentes. Um dos profissionais, Fernando Celso de Camargo, na época, afirmou que sua arma disparou acidentalmente, por defeito de fabricação, ao sair da viatura para falar com o grupo. Yago acabou atingido. O soldado que atirou foi preso em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

