SÃO PAULO - O ministro Helder Barbalho (PMDB-PA) recebeu R$ 1, 5 milhão não contabilizado da empreiteira Odebrecht na eleição de 2014, segundo informaram os delatores Fernando Reis e Mário Amaro da Silveira em termo de colaboração premiada firmado junto ao Ministério Público Federal (MPF).
O repasse foi feito por meio do setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, o chamado departamento de propina da empreiteira. De acordo com despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, o repasse foi feito na campanha de 2014, quando Barbalho disputou eleição para o governo estadual do Pará.
Segundo escreveu Fachin em seu despacho, o MPF afirma que o apelido de Barbalho era “cavanhaque”. Os executivos da Odebrecht afirmaram que os pagamentos ao ministro foram feitos a pedido do próprio Barbalho, do senador Paulo Rocha (PT-PA) e do prefeito João Salame, de Marabá.
Os valores teriam sido transferidos em três parcelas de R$ 500 mil como contrapartida a defesa dos interesses da Odebrecht em obras de saneamento básico no Pará, onde a empresa planejava atuar.
Nesta terça-feira, . Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, 8 ministros, 29 senadores e 42 deputados federais, 3 governadores e um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) serão investigados no STF.
O ministro também determinou o fim do sigilo de 74 e manteve apenas dois sob sigilo. Além disso, o ministro determinou o arquivamento de sete fatos informados pelos delatores, mas que a própria Procuradoria-Geral da República não viu indícios para justificar investigações. Foram remetidas a outras instâncias do Judiciário 201 petições, com fatos que incriminam pessoas sem direito ao foro especial.
O ministro nega as acusações. Ele afirmou que nunca utilizou “cavanhaque” e por isso estranha o apelido. Barbalho reiterou ainda que todas os recursos que recebeu na campanha de 2014 foram declarados à Justiça Eleitoral.

