BRASÍLIA — A ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, lotada no cargo na cota do PSDB, deve deixar o cargo na tarde de quinta-feira, quando acontecerá a posse do deputado Carlos Marun (PMDB-MS) para o lugar de Antonio Imbassahy, tucano que cuidava da articulação política do governo.
Indicada ao cargo por Imbassahy, a ministra vinha causando constrangimento tanto para o presidente Michel Temer quanto para os tucanos, pela insistência em permanecer no cargo. Segundo assessores do Palácio do Planalto, Luislinda deve fazer um discurso de despedida da pasta na cerimônia de posse de Marun.
Os dirigentes tucanos já perderam a paciência com a ministra e vinham pressionando para que Temer tomasse a iniciativa de demiti-la do governo. Eles diziam, ontem, que ela está constrangendo o PSDB, que não concorda com sua permanência no ministério. Ao contrário da ministra, os tucanos afirmam que o caso do ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, é diferente, pois ele comanda uma função de estado e vai ficar à frente do Itamaraty na cota pessoal de Temer. O secretário geral do partido, deputado Marcus Pestana (MG), chegou a dizer que Luislinda não tem “simancol”.
A ministra causou polêmica ao afirmar, em petição que enviou ao governo pedindo que ao seu salário de ministra fosse somado o de desembargadora aposentada, o que lhe garantiria o rendimento bruto de R$ 61,4 mil, que "sem sombra de dúvidas" a situação se assemelha ao trabalho escravo. Ela reclamou que devido à regra do teto constitucional só pode receber R$ 33,7 mil, o equivalente ao que ganha um ministro do Supremo Tribunal Federal. O caso foi revelado pelo jornal "O Estado de S. Paulo".
No pedido, Luislinda justificou que, por causa da regra do teto constitucional, seu salário de ministra caiu para R$ 3.292 brutos. O de desembargadora, de R$ 30.471,10, é preservado (o somatório dos dois, o que ela recebe, equivale justamente ao teto). Como ministra, ela tem direito a carro com motorista, jatinho da FAB, cartão corporativo e imóvel funcional.

