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‘Maduro mandava me buscar em caminhonete blindada de rapper americano’, diz Mônica Moura

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BRASÍLIA - Em delação, a empresária Mônica Moura afirmou que recebeu "malas de dinheiro" quase que semanalmente de Nicolás Maduro, então chanceler e hoje presidente da Venezuela. Segundo ela, o braço-direito de Hugo Chávez, que disputava pela terceira vez a presidência, mandava seguranças buscá-la numa caminhonete blindada como as de "rapper americano", escoltada por mais dois veículos. Após travar uma "conversa fiada", Maduro entregava os dólares e providenciava a escolta para levá-la no trajeto de volta. No total, foram cerca de US$ 11 milhões, de acordo com a empresária.

Mônica contou que tinha muito medo de transportar valores tão elevados, pagos por caixa dois pelos serviços prestados pela empresária e o marido, João Santana, à campanha de Chávez. Ela afirmou que contratou oito seguranças para vigiar a casa alugada onde funcionava a produtora que eles montaram no bairro do Jóquei Clube de Caracas. Em um único repasse, de acordo com a delatora, chegou a receber US$ 800 mil das mãos de Maduro.

— Sabe o que ele fazia? Mandava me buscar com o carro dele, blindado, aquelas caminhonetes de rapper americano, com mais dois carros, um à frente e outro atrás. Me levava para a chancelaria, entrava pela garagem, os seguranças subiam comigo, eu ficava lá esperando. Tomava muito chá de cadeira. Eles não têm o menor compromisso com horário. Depois me chamava na sala dele, conversava uma conversa fiada de política e me entregava o dinheiro, ele próprio. Depois eu descia com os seguranças e me levavam até o hotel de volta — declarou Mônica em delação.

O dinheiro era recebido no prédio da chancelaria ou no Palácio de Miraflores, em Caracas. Além de pagar fornecedores e a mão-de-obra contratada para a campanha, Mônica contou que repassava a parte de Franklin Martins , ministro do ex-presidente Lula, que trabalhava na parte de internet da campanha de Chávez. Ela explicou que entregou os recursos a Mônica Monteiro, mulher de Martins, que cuidava mais da parte administrativa do negócio de Martins. A delatora disse que tinha "pavor" durante o recebimento de tanto dinheiro, mas "ia tocando":

— Eu morria de medo, tinha pavor do que poderia acontecer. Mas eu ia fazendo, ia tocando. Recebi mais de US$ 10 milhões lá, em dinheiro, em oito meses

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