BRASÍLIA — Relator do pedido de liminar do Partido Ecológico Nacional (PEN) para que fiquem suspensas prisões na segunda instância, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), pretende levar o caso ao plenário da corte já na próxima quarta-feira. Com isso, não depende mais da vontade da presidente da corte, Cármen Lúcia, a realização do julgamento. Ele também indicou que não vai tomar a decisão sozinho. As declarações foram dadas antes da notícia do decreto de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Perguntado sobre quando apresentaria ao plenário, respondeu que na "quarta-feira". É o dia da próxima sessão do plenário do Supremo, que se reúne às quartas e quintas-feiras.
Questionado se, no caso da liminar, o julgamento depende da concordância da ministra Cármen Lúcia, que tem resistido em pautar as ações, ele disse que não. Na linguagem jurídica, pode levar o caso "em mesa", ou seja, indepentemente de pauta, em razão da urgência do caso.
— Sendo medida urgente, posso trazer em mesa — disse Marco Aurélio.
Perguntado se poderia tomar uma decisão sozinho, disse que a regra é o colegiado.
— A regra para mim é atribuição do colegiado, e não atribuição individual para implementar ou não medida cauteladora. Isso eu tenho sustentado em decisões, inclusive nas sessão virtual. Tem muitos colegas que julgam a ADI (ação direta de inconstitucionalidade), concluindo pela ilegitimidade, pela ausência de pertinência temática individualmente.
Indagado se a regra permite uma exceção, ele respondeu:
— Permite numa situação emergencial, mas ainda não temos no Brasil o corredor da morte.
Em outro instante, apontou momentos em que poderia tomar uma decisão sozinho:
— Pelo regimento, eu posso implementar a medida cauteladora em processo objetivo no recesso, que é do dia 20 de dezembro ao dia 31 de dezembro, nas férias coletivas, mês de janeiro e julho, isso é o que está autorizado, ou então em situação emergencial absoluta, né?
Ele disse que ainda está analisando o pedido, mas adiantou que foi muito bem redigido.

