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Menino de três anos baleado na cabeça tem morte cerebral

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Menino de três anos baleado na cabeça tem morte cerebral
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RIO - Atingido por uma bala perdida quando brincava na sala de casa, na segunda-feira, Vitor Gabriel, de 3 anos, teve morte cerebral nesta quinta-feira no Hospital da Posse, em Nova Iguaçu. Mesmo muito abalada, a família autorizou a doação dos órgãos. A mãe do menino, a dona de casa Adriana Maria Leite Matheus, de 28 anos, lamentou o fato de o filho não estar seguro dentro da própria casa. Já o pai, o pedreiro Anderson Neves de Oliveira, de 56 anos, demonstrou muita revolta e defendeu a pena de morte em casos como este.

— Não deixava meus filhos na rua com medo do perigo e vi que, dentro de minha casa, meus filhos não estavam seguros. Dez horas da noite, eles todos perto de mim, porque eu não gosto de filho longe. Levava para todo lugar. Infelizmente, agora não vou levar mais o meu neguinho. Nem dentro de casa meu filho teve segurança — desabafou a mãe. — Pelo menos vai salvar outras vidas — disse ela, referindo-se à doação dos órgãos.

Vitor Gabriel foi atingido quando brincava com os irmãos gêmeos, de 7 anos, na sala de casa, na comunidade Buraco Quente, no bairro São Matheus, em São João de Meriti. A mãe contou que ouviu um barulho e viu o filho ferido. Somente ao chegar no hospital, ela descobriu que o menino tinha uma bala alojada na cabeça. Sem acreditar no que tinha acontecido, ela disse que pediu para voltar em casa, onde viu o buraco feito pela bala no telhado.

— A casa nem é pequena. Tem quarto, sala, cozinha e banheiro. Com tanto espaço para essa bala parar, foi cair justo na cabecinha desse bebê — disse o pai.

Os pais contaram que Vitor Gabriel era uma criança alegre e sempre sorridente. Segundo a mãe, o maior sonho dele era começar a estudar. Sempre que ia com ela levar os irmãos mais velhos para o colégio, ele perguntava quando seria a sua vez.

— Ele morreu sem realizar esse sonho — disse a mãe.

Para homenagear Vitor, os pais fizeram questão de divulgar um vídeo, com uma colagem de fotos do menino, em diferentes fases da sua curta vida.

O diretor do Hospital da Posse, Joé Sestello, disse que a notícia sobre a morte cerebral foi dada à família 24 horas após a abertura de um protocolo para verificar esse diagnóstico. A avaliação incluiu vários exames, entre eles o eletroencefalograma. Sestello contou que a bala entrou na região frontal e avançou até a parte posterior da cabeça, causando destruição de tecido nervoso nos dois hemisférios. Os médicos optaram por não remover o projétil para não causar mais danos ao cérebro. Os pais da criança estão sendo assistidos por psicólogos e pelo serviço social da unidade.

SÓ ESTE ANO, 574 BALEADOS

O diretor do hospital acredita que, se o garoto sobrevivesse, ele teria graves sequelas, podendo inclusive ficar em estado vegetativo. O caso, segundo ele, comoveu a equipe médica:

— Somos surpreendidos todos os dias. Temos 574 casos, se não me engano, de baleados só este ano. Em 2012, foram 172 o ano inteiro. A cada dia é uma história mais triste. É uma angústia a gente não saber aonde vai chegar essa violência — disse Sestello.

A assessoria da Polícia Civil informou que as investigações sobre a morte do menino estão em andamento na 64ª DP (São João de Meriti).

 

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