O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, oficializou nesta terça-feira sua filiação ao MDB. O evento teve tom de campanha, decorado com fotos do presidente Michel Temer e de Meirelles e com direito a jingle: “M de Michel, M de Meirelles e M de MDB”. Com a filiação, o ministro – que tem até dia 7 para de desincompatibilizar do cargo – tenta se viabilizar como candidato a presidente da República após o PSD de Gilberto Kassab não ter lhe dado legenda para concorrer ao cargo.
Enfraquecido pela possibilidade de pesar contra ele uma terceira denúncia, Temer também queria ser o candidato do partido, possibilidade que hoje está praticamente descartada diante dos últimos acontecimentos na Operação Skala, que prendeu amigos do presidente.
Com isso, Meirelles ganha força, mas ainda enfrentará o desafio de conquistar apoio dentro do PMDB. Se não conseguir, corre o risco de ser abandonado pelo partido na eleição, reeditando o pleito de 1989, quando Ulysses Guimarães, candidato da legenda, chegou ao fim do primeiro turno com menos de 5% dos votos.
Interlocutores do Palácio do Planalto avaliam que, a partir de hoje, foi dado o start para a campanha eleitoral. A filiação de Henrique Meirelles ao partido de Temer mostra, segundo esses auxiliares, que agora o governo tem uma candidatura para defender, ainda que não tenha se definido ainda o candidato oficial, já que o presidente, apesar de fragilizado, ainda não desistiu de ser o cabeça de chapa.

