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Molon: ‘Não saberia dizer qual é o principal foco da Rede’

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BRASÍLIA - Eleito em 2014 como deputado federal mais votado no PT fluminense, mudou de partido pela segunda vez em três anos. Desta vez, ele afirma que trocou a Rede pelopor divergências com o grupo majoritário na sigla, alinhado à ex-ministra e presidenciável . Molon diz ter uma relação “fraterna” com Marina mas, para ele, a “não coloca como maior desafio brasileiro a superação das desigualdades”. Indagado sobre qual seria, então, o foco da Rede, ele dispara: “Não saberia dizer qual é”. O parlamentar torce por uma candidatura própria do PSB à Presidência e diz que, se o caminho for uma coligação com o PSDB, não subirá no palanque de Geraldo Alckmin.

(O fato de a Rede) não atribuir às desigualdades a importância que isso tem para a gente conseguir fazer do Brasil a grande nação que pode ser. Não se constrói um país em que seus cidadãos não se sintam participantes de um projeto comum em que todo mundo importa. Marina tem uma história indiscutível de luta e superação, e não tenho dúvida da preocupação dela com essa questão. No entanto, a meu ver, a Rede não coloca como maior desafio brasileiro a superação das desigualdades.

Não saberia dizer qual é o principal foco.

Eu continuo tendo um grande respeito e apreço pela Marina como liderança e como pessoa, mas, numa eleição, um partido defende uma visão de país pela qual vai lutar. Se você não concorda com essa visão, que não está priorizando o que é mais importante, é muito difícil ir para uma eleição defendendo isso.

Houve esse convite a ele para se filiar, ele estaria tomando sua decisão e ainda não teria dado resposta. Acredito que no mês de março se tenha a resposta dele e, certamente, se ocorrer (a filiação), será algo bastante impactante no cenário eleitoral. O PSB tem grandes quadros, e acho que se o Joaquim Barbosa aceitasse o convite, ele seria um excelente candidato.

Evidentemente que pela minha trajetória e por tudo o que eu defendi, apoiar o Geraldo Alckmin não é uma hipótese que eu cogite. Certamente eu não subiria nesse palanque, mas por tudo o que conversei com quem conhece o partido, acho que essa hipótese é totalmente improvável. Sinceramente não vejo essa possibilidade. Obviamente avaliei isso, porque não faria esse movimento se achasse que essa seria uma forte possibilidade. E, se tudo der errado e isso ocorrer, certamente não farei a campanha de Alckmin; vou fazer a campanha de algum candidato progressista.

Essa questão nunca moveu qualquer decisão minha. Eu fui o segundo deputado a ir para a Rede. Sempre tive consciência de que a Rede começaria pequena e teria muitas dificuldades para enfrentar. Isso não é nenhum problema quando você está se sentindo bem onde está.

É lógico que houve divergências, senão não haveria razão para sair. Mas não teve briga. Tenho uma relação fraterna com a Marina, não é meu estilo ser agressivo. Mas fui constatando, pelas divergências, que não faria sentido eu continuar.

Muitas vezes a minha posição conflitava com a posição dela e do grupo mais próximo dela, que pensa da mesma forma. Aos poucos você vai chegando à conclusão de que não faz sentido, porque você rema numa direção e o grupo majoritário está remando em outra. Sinto que vou ter um espaço maior para defender as minhas ideias no PSB do que sentia na Rede.

Há um espaço vazio para um partido que tenha na desigualdade sua principal preocupação, mas que não abra mão de fazer uma política limpa e que tenha uma visão econômica pragmática, eficiente, uma visão moderna de economia. Partidos que não conseguem entender a importância de o setor privado se desenvolver e que veem nele um inimigo, não ajudam a resolver o problema social do país. Não dá para ter alergia a empreendedor. Eu imaginava que esse lugar fosse ser ocupado pela Rede.

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